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24/09/25 - às 13:59
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Duas adolescentes foram apreendidas em Guamiranga, município dos Campos Gerais do Paraná, acusadas de aliciar colegas de escola para participarem de um esquema de automutilação coletiva. Segundo a investigação, elas induziam outros jovens a gravar vídeos se machucando e a compartilhar o material em uma comunidade do Discord, uma plataforma de mensagens amplamente utilizada por adolescentes.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Mikail Moss Hordcecki, as suspeitas ofereciam vantagens financeiras para convencer os colegas a participar. No início, os convites eram feitos em conversas comuns dentro da escola. Depois, os aliciados eram incluídos em grupos virtuais, onde recebiam ordens para gravar os vídeos de automutilação.
Conforme a investigação, a relação de confiança rapidamente se transformava em um ciclo de medo e coerção. Quem tentava recusar ou deixar de participar era pressionado com ameaças: os vídeos já produzidos seriam divulgados a amigos, familiares ou até nas redes sociais.
“As adolescentes prometeram valores em dinheiro e, em seguida, passaram a utilizar a chantagem como forma de manter o controle sobre as vítimas”, detalhou o delegado.
Por envolver menores de idade, a Polícia Civil não divulgou os nomes das suspeitas, tampouco a escola em que estudam. As duas jovens foram encaminhadas ao Conselho Tutelar e permanecem sob acompanhamento especializado.
As vítimas identificadas já estão recebendo apoio psicológico oferecido em parceria entre a rede municipal de saúde e a Secretaria de Educação, em uma tentativa de minimizar os impactos emocionais. “Estamos diante de uma situação extremamente delicada, que exige acolhimento e acompanhamento contínuo”, reforçou um técnico da rede de proteção local.
Casos como o de Guamiranga chamam a atenção para os riscos da exposição de adolescentes em ambientes digitais. Plataformas como o Discord, que oferecem salas privadas de bate-papo por voz, texto e vídeo, são muitas vezes difíceis de monitorar por pais, escolas e autoridades.
De acordo com especialistas em segurança digital, esse tipo de prática pode ser associado a fenômenos internacionais conhecidos como “challenges” (desafios virtuais), que em diversos países já resultaram em automutilação e até mortes. O Brasil tem registrado episódios semelhantes nos últimos anos, o que reforça a necessidade de diálogo constante entre pais e filhos sobre o uso responsável da internet.
A Polícia Civil continua analisando dados apreendidos nos celulares das adolescentes, buscando identificar outros possíveis integrantes do grupo virtual e verificar se havia envolvimento de adultos. Há suspeita de que o grupo do Discord estivesse conectado a comunidades maiores, que circulam conteúdos violentos e estimulam comportamentos autodestrutivos.
A investigação deve contar com apoio da Delegacia de Crimes Cibernéticos, em Curitiba, para rastrear a origem dos canais utilizados e tentar derrubar os espaços digitais onde as práticas ocorriam.
O caso gerou forte repercussão em Guamiranga e região, levando escolas e famílias a debaterem formas de prevenção. Psicólogos locais ressaltam que a automutilação é um sinal de sofrimento emocional e não pode ser tratada apenas como ato de rebeldia.
“Precisamos enxergar que há dor por trás desses gestos. Quando jovens se unem em torno da automutilação, isso exige intervenção urgente da comunidade escolar, da saúde pública e da família”, explica uma psicóloga.
Nos últimos anos, o Paraná e outros estados registraram investigações sobre grupos virtuais que estimulavam práticas perigosas entre adolescentes, como os chamados “jogos da baleia azul” ou “desafios da asfixia”. Em comum, esses fenômenos se aproveitam da fragilidade emocional de jovens e da facilidade de comunicação online para criar redes de manipulação e risco.
Autoridades alertam que casos como o de Guamiranga não devem ser tratados como isolados, mas como parte de uma rede global de incentivo à violência digital, que precisa de combate coordenado entre família, escola, poder público e plataformas de tecnologia.
CVV – Centro de Valorização da Vida: atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br, disponível 24 horas.
Disque 100: denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes.
Polícia Civil do Paraná: delegacias locais recebem denúncias de crimes cibernéticos.
Com informações do g1 – Campos Gerais e Sul. Acesso em 24/09/2025.