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O sucesso é uma dessas forças silenciosas que revelam mais sobre quem observa do que sobre quem conquista. Ele não cria nada; apenas amplifica o que já existe dentro de cada um. Quando alguém cresce, se expande ou simplesmente decide honrar o próprio potencial, muita gente aplaude, mas há sempre aqueles que sentem uma fisgada interna, uma mistura de desconforto com uma verdade que prefeririam não olhar. Não é inveja pura. É algo mais profundo. É a dor de perceber que o outro fez o que eu ainda não tive coragem de fazer. Porque o sucesso do outro não esfrega nada na nossa cara; quem faz isso somos nós mesmos. O que dói não é o brilho alheio. O que dói é a constatação silenciosa de que eu também poderia ter feito, mas não fiz. E, para escapar dessa percepção, nasce uma série de narrativas convenientes: dizer que o outro teve sorte, que foi favorecido, que está se achando, que não é tudo isso, que é exagero, que “se eu quisesse eu faria igual”. Tudo isso constrói um colchão emocional macio o suficiente para eu não encarar a pergunta real que assombra: “Por que eu não fiz o mesmo?”
No olhar sistêmico, ninguém se incomoda verdadeiramente com o outro. A dor real é o deslocamento interno que o crescimento alheio provoca. Quando alguém muda de patamar, o campo muda junto. A hierarquia invisível muda. As posições inconscientes mudam. A pessoa que antes ocupava um lugar confortável, previsível e emocionalmente administrável para os outros, de repente, sai do script. E essa movimentação obriga quem está ao redor a se reorganizar internamente, algo que muitos não conseguem fazer. É como se o avanço do outro lembrasse, de forma involuntária, das promessas que eu fiz para mim e nunca cumpri. E isso dói.
A verdade é que o crescimento de alguém não desperta admiração para quem está preso nas próprias estagnações; desperta comparação. E a comparação, quando usada de forma imatura, vira arma: “Se ela conseguiu e eu não, algo deve estar errado com ela, não comigo.” Esse é o mecanismo psicológico mais comum para não lidar com o próprio não agir: diminuir o outro para não precisar crescer agora. Distorcer a grandeza do outro para não confrontar a própria falta de movimento. No fundo, cada desculpa vem como anestésico para uma dor que ninguém quer sentir: a dor de se enxergar sem máscaras.
O sucesso alheio ativa feridas profundas: crenças de insuficiência, medos antigos, lealdades inconscientes que dizem que “ninguém da família pode brilhar muito”, traumas que sussurram que crescer atrai julgamento, críticas, rejeição. E, por trás de toda tentativa de desmerecer o outro, existe uma frase silenciosa que poucos assumem: “Eu não consigo lidar com o fato de que você foi e eu fiquei.”
Esse é o ponto. Não há incômodo no brilho alheio quando estou comprometida com a minha própria expansão. Quem está caminhando se inspira; quem está parado se incomoda. Quem está construindo admira; quem está estagnado compara. Quem está crescendo observa; quem está travado critica. No fundo, o sucesso do outro funciona como holofote nas sombras internas que a pessoa tenta manter escondidas, e é exatamente por isso que tanta gente recorre à justificativa, à ironia, à comparação infantil, ao julgamento moral, à crítica travestida de opinião sincera. Tudo isso é apenas a tradução emocional de uma única verdade: “O teu sucesso prova que a minha desculpa não se sustenta.”
E há também o fator relacional-sistêmico: quando você cresce, você desaperta lugares. Você sai de versões antigas de si mesma que eram convenientes para quem te queria pequena, controlável, previsível. Tem gente que se acostumou com a sua versão que não incomodava. Quando você começa a agir, conquistar, decidir, honrar sua potência, essa mesma pessoa se sente deslocada. Seu movimento muda o campo, e ela não sabe mais qual lugar ocupar. Não é sobre você, é sobre o que você desperta nela.
O sucesso é pedagógico. Ele mostra que, para quem age, o mundo responde. E que, para quem vive de desculpas, nada muda. Ele revela quem tem compromisso consigo e quem tem compromisso apenas com a própria narrativa interna. Ele evidencia quem está disposto a pagar o preço da evolução e quem está ocupado demais justificando por que ainda não começou.
O sucesso de alguém nunca diminui ninguém. O que diminui é a incapacidade de lidar com o que esse sucesso desperta. O que diminui é a recusa em olhar para si. O que diminui é a insistência em culpar o mundo, o tempo, o acaso, a vida, Deus, a família, a economia e, de preferência, todo o universo, menos a própria falta de movimento interno.
E você não tem a menor obrigação de esconder seu brilho para proteger o ego frágil de ninguém. Não tem por que encolher sua potência para caber em expectativas pequenas. Não tem por que se diminuir para preservar pessoas que se sentem ameaçadas quando você faz o que elas nunca fizeram. Crescer é honrar a vida. Crescer é honrar sua história, seu chamado, sua coragem. E o mundo precisa mais de gente iluminando caminhos do que de gente apagando faróis para não enxergar a própria sombra.
O sucesso incomoda apenas quem está parado. Quem está caminhando, celebra. Quem está desperto, aprende. Quem está disposto, se transforma. E quem está pronto, expande. O resto é projeção.