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10/12/25 - às 11:37
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Entre as 96 escolas escolhida para o projeto está a escola José Orestes Preima – Prudentópolis
E a Escola Francisco Ramos – Guamiranga
Rejeitado pela maioria das escolas consultadas em 2024, o programa “Parceiro da Escola”, do governo Ratinho Jr., voltou a ser derrotado nas urnas da própria comunidade escolar paranaense em uma nova rodada de votações realizada em novembro de 2025. Desta vez, de 96 colégios estaduais consultados, 83 votaram “não”, apenas 2 disseram “sim” e em 11 unidades o quórum não foi atingido. O resultado expõe, mais uma vez, a forte resistência de professores, estudantes, funcionários e famílias à proposta de gestão privada e à presença de militares na administração das escolas.
A nova consulta foi convocada após a primeira rodada de votações, em dezembro de 2024, quando a maior parte das escolas já havia rejeitado o modelo. O governo chamou o novo processo de votação como uma “nova oportunidade” para as unidades que não haviam atingido quórum ou que tinham rejeitado a proposta, numa tentativa de reverter o quadro desfavorável ao programa. Porém, o resultado voltou a ser amplamente contrário.
Segundo sindicatos e representantes da comunidade escolar, o “não” massivo traduz um conjunto de preocupações: precarização do ensino, possível perda de autonomia pedagógica e administrativa, militarização do ambiente escolar e transferência de recursos públicos para empresas privadas, em detrimento da valorização de professores e funcionários efetivos. Para essas entidades, a consulta confirmou que a preferência da comunidade é pela manutenção e fortalecimento da gestão pública direta.
O programa “Parceiro da Escola” prevê a transferência de parte da gestão de colégios estaduais à iniciativa privada, incluindo responsabilidade sobre contratos, manutenção e serviços, com participação de militares na administração. O governo argumenta que a mudança serviria para “desafogar” diretores de tarefas burocráticas e de pequenos reparos, permitindo que eles se dedicassem mais à parte pedagógica.
Na outra ponta, educadores, sindicatos e movimentos em defesa da escola pública afirmam que o modelo fere princípios constitucionais, abre espaço para a mercantilização da educação, precariza vínculos de trabalho e não resolve problemas estruturais, como falta de investimentos, de pessoal e de condições adequadas de ensino. O programa, inclusive, é alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta inconstitucionalidade.
Com o novo resultado, sindicatos consideram que houve uma “vitória da educação pública” e apontam uma derrota política para o projeto do governo Ratinho Jr., que, mesmo diante da resistência, insiste no modelo. As entidades cobram que o Executivo estadual reconheça e respeite a vontade expressa nas urnas escolares, interrompa tentativas de reverter o resultado e passe a investir em alternativas debatidas com a própria comunidade escolar.
O episódio evidencia que o conflito em torno do futuro da gestão das escolas estaduais do Paraná está longe de terminar. De um lado, o governo defende o “Parceiro da Escola” como solução de gestão; de outro, a comunidade escolar insiste em um recado reiterado: a prioridade deve ser mais recursos, valorização profissional e gestão pública com participação democrática, não a privatização de serviços educacionais.
83 votaram “não”

