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29/12/25 - às 10:22
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A história do jornalismo brasileiro passa, inevitavelmente, pelo período do Estado Novo (1937–1945), quando a informação deixou de ser apenas um instrumento de registro da realidade para se tornar uma poderosa ferramenta de controle social. Nesse contexto, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), criado em 1939 pelo então presidente Getúlio Vargas, assumiu papel central na censura, na propaganda oficial e na construção de uma imagem positiva do regime perante a população.
O DIP tinha como principal missão controlar tudo o que era divulgado nos meios de comunicação. Jornais, revistas, emissoras de rádio, produções cinematográficas e até peças teatrais eram rigidamente fiscalizados. Qualquer conteúdo considerado crítico ao governo ou contrário aos ideais do Estado Novo era vetado. Em contrapartida, o órgão estimulava a divulgação de notícias favoráveis ao regime, exaltando o nacionalismo, o trabalhismo e a figura de Vargas como um líder próximo do povo e defensor dos interesses nacionais.

Um dos exemplos mais marcantes dessa estratégia foi o programa radiofônico “Hora do Brasil”, que permitia ao governo falar diretamente com a população, sem intermediários ou questionamentos. Além disso, o DIP financiou músicas, filmes, cartilhas educativas e eventos cívicos que reforçavam valores alinhados ao regime, criando uma identidade cultural moldada pelo Estado. A informação, nesse período, deixava de cumprir seu papel crítico e passava a servir como instrumento de persuasão.

Em cidades do interior, como Prudentópolis, os efeitos dessa política de controle também foram sentidos. Mesmo distante dos grandes centros urbanos, a população recebia notícias filtradas e direcionadas pelo DIP, o que influenciava a percepção sobre o governo, a política nacional e os acontecimentos do país. As manifestações cívicas, comemorações patrióticas e conteúdos culturais reproduziam o discurso oficial, mostrando que o alcance do órgão ia além das capitais e atingia comunidades locais.
Esse cenário evidencia, ainda hoje, a importância fundamental do jornalismo livre e responsável, especialmente em municípios como Prudentópolis. O jornalismo local tem a missão de informar com verdade, fiscalizar o poder público, dar voz à comunidade e preservar a memória histórica. Ao relembrar o período do DIP, torna-se claro como a ausência de liberdade de imprensa compromete a democracia e limita o direito da população à informação plural e transparente.

O legado do Departamento de Imprensa e Propaganda permanece como um alerta. Suas práticas influenciaram estruturas posteriores de comunicação institucional e inteligência no Brasil, mas também reforçaram a necessidade de um jornalismo ético, independente e comprometido com a verdade. Em Prudentópolis e em todo o país, valorizar o jornalismo é garantir que a história seja contada sem censura, com responsabilidade social e respeito ao direito do cidadão de ser bem informado.