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01/01/26 - às 14:00
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Celebrado tradicionalmente na noite de 13 de janeiro, o festival da Malanka integra o calendário cultural da Ucrânia como uma das manifestações populares mais antigas e simbólicas do país, marcando a chegada do chamado “Velho Ano Novo”, de acordo com o calendário juliano, ainda seguido por igrejas ortodoxas e por muitas tradições populares. A celebração ocorre na véspera do dia dedicado a Santa Melânia e encerra o ciclo natalino, funcionando como um rito de passagem entre o ano que termina e o novo período que se inicia, com votos de prosperidade, saúde e fartura.
A origem da Malanka remonta a práticas pré-cristãs ligadas aos ciclos da natureza, especialmente ao solstício de inverno e à expectativa pela renovação da vida após os meses mais rigorosos do frio. Antes da cristianização da região, os rituais tinham forte relação com a fertilidade da terra, a proteção contra forças negativas e a garantia de boas colheitas. Com o passar dos séculos, esses costumes foram incorporados à tradição cristã, sem perder seus elementos folclóricos, criando uma celebração híbrida que mistura fé, simbolismo ancestral e identidade cultural.
Durante a Malanka, vilas e cidades se transformam em cenários de festa popular. Grupos organizados percorrem ruas e residências usando fantasias elaboradas e máscaras expressivas, representando personagens humanos, animais ou figuras simbólicas. Entre os personagens mais comuns estão ursos, cabras, ciganos, soldados, idosos e figuras caricatas, cada uma carregando significados próprios ligados à força, à abundância, à sabedoria ou à ironia social. As encenações costumam ser acompanhadas por músicas tradicionais conhecidas como shchedrivky, canções que desejam sorte, prosperidade e alegria aos anfitriões visitados.
Além do aspecto festivo, a Malanka também possui um caráter ritual. As visitas de casa em casa, acompanhadas de cantos e pequenas performances, funcionam como uma forma simbólica de “abençoar” os lares para o novo ano. Em troca, os participantes recebem alimentos ou pequenas oferendas, reforçando o espírito comunitário e a ideia de partilha. Em algumas regiões, brincadeiras e travessuras fazem parte da celebração, herança de antigas crenças de que o caos momentâneo ajudaria a afastar maus espíritos e garantir equilíbrio ao longo do ano.
A forma como a Malanka é celebrada varia significativamente de uma região para outra. No oeste da Ucrânia, especialmente na região da Bukovina, vilarejos como Krasnoilsk se destacam por manter tradições intensas, com festividades que podem durar quase um dia inteiro e mobilizar praticamente toda a comunidade. Nessas localidades, a Malanka assume proporções semelhantes às de um carnaval, com desfiles organizados, competições de fantasias e grande participação popular. Já em centros urbanos, a festa costuma ganhar formato de festivais públicos, reunindo apresentações culturais e turistas.
Mais do que um evento folclórico, a Malanka é considerada um elemento fundamental da identidade cultural ucraniana. Ao longo da história, inclusive em períodos de repressão cultural, a celebração foi mantida como forma de resistência e preservação das tradições locais. Nos últimos anos, seu valor simbólico ganhou ainda mais destaque, sendo reconhecida como patrimônio cultural imaterial e reafirmando o papel da cultura popular na construção da memória coletiva do país.
A tradição também ultrapassou as fronteiras da Ucrânia por meio da diáspora. Comunidades ucranianas em países como Canadá, Estados Unidos e Brasil adaptaram a Malanka às realidades locais, mantendo os elementos centrais da festa como os cantos, os trajes e o espírito comunitário. Nessas celebrações, a Malanka se torna não apenas um elo com o passado, mas também uma forma de fortalecer laços culturais entre gerações.
Assim, a Malanka permanece como uma celebração que vai além do simples marco do Ano Novo. Ela representa a continuidade de saberes ancestrais, a união da comunidade e a esperança coletiva por tempos melhores, reafirmando, ano após ano, a força da cultura popular ucraniana e sua capacidade de atravessar séculos sem perder significado.