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07/01/26 - às 14:15
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Em Prudentópolis, município do centro-sul do Paraná, onde a agricultura familiar ainda é presença marcante na economia rural, muitos produtores recorrem a saberes tradicionais para planejar suas atividades no campo. Dentre eles está a prática de observar as fases da Lua para orientar o plantio, cuidado e colheita das culturas, um costume que parte do conhecimento ancestral e tem sido reforçado por iniciativas agroecológicas na região.
O plantio e a colheita pautados pelos ciclos lunares são tradições agrícolas presentes há séculos em diversas culturas ao redor do mundo. A Lua completa um ciclo aproximado de 29,5 dias, passando por fases como Nova, Crescente, Cheia e Minguante cada uma com significado próprio para o manejo do solo e das plantas.
Segundo esse saber, durante a Lua Crescente a seiva das plantas estaria mais ativa nas partes aéreas, favorecendo o desenvolvimento de folhas, flores e frutos, sendo assim um período ideal para plantios que visam produção de partes superiores da planta. Já na Lua Minguante, a seiva tenderia a concentrar-se nas raízes, favorecendo o plantio de tubérculos e raízes e também a colheita desses alimentos.

No Paraná, um Calendário Biodinâmico lunar que orienta plantio, poda e colheita com base nas fases da Lua foi lançado pelo projeto Semeando Gestão, uma iniciativa que integra políticas de agricultura familiar e agroecologia, com participação da Itaipu Binacional e organizações parceiras. Esse material tem sido entregue a agricultores familiares em diversas regiões do estado e já está disponível em versão digital, funcionando como uma ferramenta prática para o dia a dia no campo.
A iniciativa valoriza a tradição combinada com práticas sustentáveis, ajudando produtores a escolherem os melhores períodos para as atividades agrícolas, com base nos ciclos naturais e no conhecimento que muitas famílias rurais já utilizam há gerações.
Produtores rurais de Prudentópolis, especialmente aqueles que trabalham com hortaliças, frutas, feijão, milho e tubérculos, relatam que ajustam seus calendários de plantio e colheita conforme as fases da Lua embora sem abandonar os fundamentos científicos convencionais, como clima, solo e época do ano. A prática ajuda a criar um ritmo alinhado à natureza, fortalecendo a conexão entre o agricultor e os ciclos naturais, além de auxiliar no planejamento da mão de obra e atividades sazonais.
Embora a influência exata da Lua sobre o desenvolvimento das plantas ainda seja tema de debate científico, com estudos apresentando resultados variados para diferentes culturas, muitos agricultores continuam a seguir esses ciclos por tradição e percepção empírica de melhores resultados em algumas culturas.

Os defensores dessa prática afirmam que:
Agricultores familiares também relatam que essa prática tradicional ajuda a fortalecer a identidade comunitária no campo e a transmissão de saberes entre gerações.
Embora haja relatos tradicionais e empíricos sobre a influência lunar na agricultura, a ciência moderna possui resultados mistos sobre a eficácia do plantio baseado na Lua. Algumas pesquisas sugerem possíveis influências de ritmos biológicos relacionados ao ciclo lunar em organismos, incluindo plantas, enquanto outras não encontram evidências claras de um efeito significativo no crescimento ou rendimento quando comparadas a fatores como clima, solo e manejo correto.
Especialistas em agricultura recomendam que, independentemente da fase lunar, o sucesso das lavouras depende fundamentalmente de técnicas adequadas de preparo do solo, manejo de água, controle de pragas e escolha de cultivares adaptadas ao clima local.

O uso do ciclo lunar nas atividades agrícolas em Prudentópolis reflete uma interseção entre tradição e práticas sustentáveis, valorizando o conhecimento ancestral e sua adaptação aos tempos atuais. Ao mesmo tempo em que agricultores observam cada fase da Lua para planejar plantio e colheita, eles também combinam essas tradições com técnicas modernas e métodos cientificamente embasados, garantindo colheitas mais consistentes e fortalecendo a agricultura familiar no município.
