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17/01/26 - às 10:02
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Palavras que Nascem da Terra
Prudentópolis não é feita apenas de rios profundos, estradas de chão e silêncios do interior. A cidade também é construída por palavras. Em páginas muitas vezes simples, outras densas e carregadas de emoção, escritores prudentopolitanos registram aquilo que o tempo insiste em apagar: histórias de famílias, linhas rurais, fé, trabalho duro, saudade e identidade cultural.
Longe dos grandes centros editoriais, esses autores escrevem movidos por algo maior que reconhecimento: o compromisso com a memória coletiva. Seus livros não são apenas obras literárias são documentos afetivos de uma cidade que aprendeu a contar sua própria história.
Entre os nomes mais respeitados da escrita local está Luiz Francisco Guil, conhecido como Chico Guil. Escritor e pesquisador da história regional, ele dedicou grande parte de sua obra a registrar a formação de Prudentópolis, especialmente das linhas rurais, onde tudo começou.
Em seus livros, Guil transforma relatos orais em narrativa histórica. Ele escreve sobre colonos, imigração, dificuldades do início do século passado, religiosidade, escola rural e o cotidiano das famílias que moldaram o município.
> “Cada linha é uma história. Cada família deixou marcas que ainda ecoam na paisagem e na memória do povo”, escreve o autor ao tratar da formação das comunidades do interior.
Sua escrita é direta, respeitosa e carregada de pertencimento. Ao ler Guil, o prudentopolitano reconhece sobrenomes, caminhos, costumes e se reconhece a si mesmo.

Outro nome que integra o cenário literário local é Luiz Hélio Friederich, autor de obras poéticas que dialogam com a memória familiar e a tradição. Em seus versos, o cotidiano simples ganha força simbólica.
Em uma de suas trovas, o autor resume o espírito de quem escreve a partir da própria origem:
> “A família é raiz, é chão firme, é tempo guardado em palavras.”
A poesia prudentopolitana não busca grandiosidade urbana. Ela nasce do silêncio, da casa antiga, da conversa ao entardecer. É uma literatura que respeita o ritmo do interior.

Muitos escritores de Prudentópolis não se veem apenas como autores, mas como responsáveis por preservar histórias que nunca entraram nos livros oficiais. São relatos de antepassados, costumes religiosos, festas comunitárias, dificuldades enfrentadas por imigrantes e trabalhadores rurais.
Esses livros costumam circular em bibliotecas públicas, escolas, casas de cultura e coleções particulares. Não são best-sellers, mas são insubstituíveis. Quando um desses autores parte, leva consigo memórias que só sobreviveram porque um dia foram escritas.
A produção literária prudentopolitana é, acima de tudo, um patrimônio cultural. Ela fortalece a identidade do município e serve como fonte para estudantes, professores, pesquisadores e jornalistas.
Mais do que contar histórias, esses escritores afirmam que Prudentópolis tem voz própria. Uma voz que fala de raízes profundas, de fé, de resistência e de pertencimento.
Cada obra escrita em Prudentópolis carrega um pedaço da cidade:
– o som da enxada na terra
– a estrada de chão batido
– a igreja como ponto de encontro
– a família como base de tudo
Esses escritores provaram que não é preciso sair daqui para produzir algo grande. Basta olhar com atenção, ouvir com respeito e escrever com verdade.
Porque enquanto houver alguém disposto a transformar memória em palavra, Prudentópolis continuará viva também nos livros.