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18/05/26 - às 16:34
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Moradores da comunidade do Barreiro se reúnem para conhecer as obras de Nilda da Silva e decidir, coletivamente, como a arte chegaria à sua comunidade. Janeiro de 2026. Créditos: Helena de Julio, assessoria de imprensa – Intervenção de Artes Visuais em Comunidades Rurais de Guamiranga.
Paredes que antes eram apenas estrutura estão se tornando registro de história, memória e pertencimento. É assim que avança o projeto “Intervenção de Artes Visuais em Comunidades Rurais de Guamiranga”, executado pela artista Rosenilda Aparecida da Silva, conhecida como Nilda da Silva, e aprovado no Edital de Fomento Multiartes – 001/2024, da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (SEEC), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura do Governo Federal.
A proposta é levar artes visuais para três comunidades rurais do município: Barreiro, Água Branca e Guamirim. Em cada uma delas, a equipe do projeto realiza rodas de conversa com os moradores, expõe obras da artista e, a partir da escuta da comunidade, executa intervenções artísticas nas paredes. O processo é construído junto com quem vive ali — as histórias, as paisagens e o cotidiano de cada família orientam o que será pintado. Todo o projeto é registrado em imagem e vídeo para a produção de um curta-metragem de até dez minutos.
Arte que nasce da escuta
Para Nilda da Silva, o projeto vai além da pintura em si. “Meu objetivo é que a arte seja um instrumento de encontro. Quero ouvir as histórias das famílias, entender o que representa aquela casa, aquela comunidade, e transformar isso em imagem. Não é apenas sobre pintar um muro, é sobre construir algo junto“, afirma a artista.
Essa construção coletiva, segundo ela, tem um efeito que ultrapassa o estético. “Quando a comunidade participa da criação, ela se reconhece na arte. Isso fortalece vínculos, valoriza as histórias locais e mostra que a cultura também nasce e vive no meio rural.”
O que já foi realizado
As primeiras ações do projeto chegaram ao Barreiro em janeiro de 2026. Durante o encontro comunitário realizado na Capela Nossa Senhora das Graças, moradores e equipe do projeto identificaram juntos que as casas da comunidade, em sua maioria construídas em madeira, não reuniam as condições técnicas para receber murais individuais nas paredes externas. A solução foi coletiva: em vez de cinco pinturas em residências, foi realizado um único painel mural de aproximadamente 5 metros por 2,4 metros no barracão da Igreja Nossa Senhora das Graças, espaço central da comunidade, onde acontecem celebrações, encontros e festividades. A área total pintada equivale à prevista originalmente no projeto.
Na comunidade Água Branca, a Nilda já realizou intervenções em três residências, cada uma com um mural construído a partir das memórias e escolhas das próprias famílias. Elizabete Siebre Belin, moradora há cerca de quarenta anos na comunidade, recebeu o projeto com entusiasmo. “De todos esses anos, é a primeira vez que um projeto desse tipo vem pra cá, trazer arte de graça pra nós. É um investimento. E ainda depois vamos ter as aulas com a Nilda, então é muito bom pra nós ter contato com essas iniciativas“, conta.
Roseli Aparecida Bobato, a Tica, escolheu que o mural da sua casa retratasse o moinho que ela e a família construíram quando chegaram ao lugar. “A gente construiu tudo do zero, a casa, o moinho. Eu fiquei encantada que ela deixou a gente escolher o desenho com essas paisagens do nosso início aqui”, relata. Para ela, a iniciativa carrega um significado especial: “É uma alegria e vai ficar eternizado o dom dela na nossa parede.”
O que ainda vem por aí
As ações na comunidade de Guamirim ainda não foram iniciadas. Moradores que tiverem interesse em receber um mural na própria casa podem entrar em contato pelo Instagram do projeto: @intervencaoartesvisuais (instagram.com/intervencaoartesvisuais).
Além das intervenções artísticas, o projeto prevê como contrapartida social a realização de oficinas gratuitas de pintura em tecido com a Nilda da Silva, com 16 horas de duração e material incluso, para até dez participantes por comunidade. As oficinas ainda não foram realizadas em nenhuma das três comunidades e serão abertas à população interessada. Como resume a própria artista: “O que mais me move é ver as pessoas descobrindo que também podem criar. Às vezes falta oportunidade, material ou incentivo. O projeto vem justamente para abrir esse espaço.” Informações e atualizações sobre datas e inscrições nas oficinas serão divulgadas pelo Instagram @intervencaoartesvisuais.
Este projeto foi aprovado no Edital de Fomento Multiartes – 001/2024, da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC), que contempla iniciativas por meio de Busca Ativa, garantindo a participação de agentes culturais integrantes de grupos socialmente vulneráveis. A Busca Ativa é realizada por um Agente Facilitador designado pela SEEC, responsável por todo o processo de inscrição, acompanhamento da execução e prestação de contas dos projetos apresentados por proponentes que, em muitos casos, não dominam a linguagem escrita ou não têm acesso a recursos digitais.
