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25/08/26 - às 16:00
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O Dia do Soldado, celebrado nesta terça-feira, 25 de agosto, ganha um significado especial em Prudentópolis quando a história do município é lembrada por meio dos homens que deixaram suas famílias para servir ao Brasil. Entre os episódios mais marcantes está a participação de prudentopolitanos na Segunda Guerra Mundial, quando cerca de 60 soldados da cidade integraram a Força Expedicionária Brasileira (FEB), segundo levantamentos históricos sobre a participação dos descendentes de ucranianos e outros grupos eslavos no conflito. A Prefeitura mantém, inclusive, um monumento dedicado aos ex-combatentes prudentopolitanos da FEB, inaugurado em 5 de agosto de 2022.
A data de 25 de agosto é celebrada no Brasil em homenagem ao nascimento de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro. Nascido em 25 de agosto de 1803, Caxias teve uma longa trajetória militar no país e ficou conhecido pelo papel desempenhado em diferentes conflitos e movimentos durante o período imperial. A escolha da data como Dia do Soldado ocorreu em 1923.
Em Prudentópolis, entretanto, falar sobre o soldado significa também olhar para nomes e famílias que fazem parte da própria formação da comunidade. O município foi colonizado principalmente por imigrantes ucranianos e poloneses a partir do final do século XIX. Décadas depois, seus filhos e netos, já brasileiros, participaram de um dos maiores acontecimentos militares do século XX.
O Brasil entrou oficialmente na Segunda Guerra Mundial em 1942, após uma série de ataques a navios brasileiros. Em 1944, a Força Expedicionária Brasileira começou a enviar tropas para a Itália, onde os militares brasileiros combateram ao lado dos Aliados contra as forças nazifascistas.
Entre os homens enviados para o conflito estavam jovens de diferentes regiões do país. Prudentópolis teve participação significativa nesse contingente.
Um levantamento histórico aponta que, em uma população que girava em torno de 23 mil habitantes durante o período da guerra, Prudentópolis enviou aproximadamente 60 soldados para a FEB. Desses, 26 tinham sobrenomes de origem eslava, especialmente ligados às famílias ucranianas que haviam se estabelecido no município nas décadas anteriores.
Entre os sobrenomes citados no levantamento estão Pietroska, Burei, Chociai, Kaczaroski, Maistrovicz, Beló, Krenda, Krycyk, Zdebski, Boiko, Sukomonoski, Moroczko, Hamulak, Berenda, Michalichen, Chomexem, Futra, Horewicz, Hladik, Zavrabeline, Demzuk e Krominski, entre outros.
A presença desses sobrenomes também revela um aspecto importante da história local. Muitos dos homens que chegaram ao Exército brasileiro eram descendentes de imigrantes que haviam vindo da Europa poucas décadas antes. Culturalmente ligados às suas comunidades de origem, eles eram brasileiros e foram enviados para lutar pelo país.

Entre os nomes associados à participação de Prudentópolis na Segunda Guerra está Miguel Beló, descendente de ucranianos e integrante da FEB.
Segundo levantamento histórico, Miguel Beló serviu na Companhia de Obuses do 11º Regimento de Infantaria e participou da campanha brasileira na Itália. O sobrenome Beló aparece entre os 26 sobrenomes de origem eslava identificados entre os prudentopolitanos enviados para a FEB.
A história da família Beló mostra ainda como a guerra atingiu mais de uma pessoa da mesma família. José Beló, irmão mais velho de Miguel, também foi convocado, mas permaneceu no Rio de Janeiro, onde atuou na força de segurança. Já Miguel foi enviado para a Itália. Um primo dos dois, Estefano Beló, também seguiu para o teatro de operações europeu, integrando uma companhia do 11º Regimento de Infantaria.
O caso da família Beló ajuda a dimensionar o impacto que a convocação teve dentro das famílias prudentopolitanas. Jovens que até então viviam em comunidades agrícolas e cidades do interior passaram a integrar unidades militares e a enfrentar uma guerra em outro continente.
A memória desses homens permanece registrada oficialmente em Prudentópolis.
A Prefeitura mantém um espaço denominado Homenagem aos Ex-Combatentes Prudentopolitanos, dedicado aos integrantes da Força Expedicionária Brasileira que lutaram na Segunda Guerra Mundial, na Itália. O monumento foi inaugurado em 5 de agosto de 2022 e é uma criação do artista plástico Elvo Benito Damo.
A homenagem representa uma forma de manter viva a memória daqueles que participaram do conflito e também das famílias que permaneceram em Prudentópolis durante o período de guerra.
O local também integra o conjunto de espaços históricos e turísticos do município que ajudam a contar a trajetória de Prudentópolis. Para quem deseja conhecer mais sobre a história local, o Museu do Milênio é outro importante ponto de preservação da memória prudentopolitana.
A participação dos prudentopolitanos na FEB ganha uma dimensão ainda maior quando considerada a história da colonização local.
Prudentópolis começou a receber imigrantes europeus de forma organizada no final do século XIX. A colonização foi marcada especialmente pela presença de ucranianos e poloneses, que se distribuíram pelas linhas coloniais e construíram comunidades, igrejas, escolas e propriedades rurais.
Quando a Segunda Guerra Mundial começou, muitos desses imigrantes já tinham filhos e netos nascidos no Brasil. Foram esses descendentes que, décadas depois, vestiram o uniforme brasileiro e participaram do conflito.
O levantamento histórico sobre os soldados prudentopolitanos destaca justamente a presença de sobrenomes ucranianos entre os integrantes da FEB. A participação desses homens demonstra como a história da imigração e a história militar brasileira acabaram se encontrando em um dos momentos mais importantes do século XX.
A participação de prudentopolitanos em missões militares internacionais não se limitou à Segunda Guerra Mundial.
Um caso documentado pela Câmara Municipal de Prudentópolis é o de João Saul de Góes Machado, conhecido como Saul Machado.
Nascido em Prudentópolis em 15 de maio de 1937, Saul Machado era filho de Bento de Góes Machado e Maria Queiroz Silva Machado. Ele estudou em escolas públicas do município e posteriormente seguiu a profissão do pai, tornando-se oficial de justiça.
Antes disso, porém, aos 21 anos, em abril de 1958, Saul Machado se apresentou voluntariamente para prestar serviço militar no Batalhão de Suez, no Oriente Médio, como parte da missão brasileira ligada à Força de Emergência das Nações Unidas.
Segundo o relato biográfico anexado ao projeto de lei que posteriormente deu seu nome a uma rua da cidade, Saul embarcou no navio de transporte de guerra NTrT Barroso Pereira em 29 de julho de 1958. A viagem passou pelo Rio de Janeiro, Recife, Dakar, no Senegal, e Marselha, na França, antes da chegada a Port Said, no Egito, em 8 de setembro de 1958.
Saul foi designado para a 7ª Companhia, 1º Pelotão, atuando no deserto do Neguev/Sinai, na região de fronteira entre Egito e Israel. Permaneceu na missão até dezembro de 1959, quando retornou ao Brasil.
A trajetória de Saul Machado demonstra que a história militar de Prudentópolis também está ligada às missões internacionais de paz realizadas pelo Brasil.
Depois do retorno ao Brasil, Saul Machado voltou à vida civil e continuou trabalhando como oficial de justiça em Prudentópolis. Em 1980, morreu aos 42 anos, vítima de um assassinato ocorrido em Pitanga.
Em 2014, a Câmara Municipal aprovou projeto que denominou uma via pública de Rua João Saul de Goes Machado, preservando seu nome na cidade. O projeto apresenta uma biografia detalhada do prudentopolitano e registra sua participação no Batalhão de Suez.
O caso mostra uma característica presente em várias cidades: a história dos militares muitas vezes permanece registrada não apenas em monumentos e documentos, mas também nos próprios nomes das ruas.
O Dia do Soldado não se resume à lembrança de grandes comandantes ou das Forças Armadas em momentos de guerra. Em Prudentópolis, a data também permite recordar pessoas comuns que deixaram suas casas para cumprir missões militares em períodos de grande importância histórica.
Na Segunda Guerra Mundial, dezenas de prudentopolitanos atravessaram o Atlântico para integrar a FEB na Itália. Entre eles estavam descendentes das famílias ucranianas e polonesas que ajudaram a construir o município. Miguel Beló é um dos nomes que aparecem nessa história.
Anos depois, outro prudentopolitano, Saul Machado, participou de uma missão militar no Oriente Médio, integrando o Batalhão de Suez.
São trajetórias diferentes, ocorridas em momentos distintos e com objetivos militares também diferentes. Em comum, carregam a ligação entre Prudentópolis e acontecimentos que ultrapassaram as fronteiras do município e do próprio Brasil.
Hoje, parte dessa história está preservada em monumentos, documentos oficiais, nomes de ruas e na memória das famílias. O monumento aos ex-combatentes da FEB, inaugurado em 2022, é uma dessas marcas permanentes.
Neste 25 de agosto, Dia do Soldado, lembrar esses nomes é também reconhecer uma parcela da história prudentopolitana que muitas vezes permanece longe dos livros mais conhecidos, mas que ajuda a explicar como moradores de uma cidade do interior do Paraná estiveram presentes em acontecimentos que marcaram o mundo.
Prefeitura Municipal de Prudentópolis — História e Turismo: informações sobre a formação do município e monumento aos ex-combatentes prudentopolitanos da FEB.
Câmara Municipal de Prudentópolis — Projeto de Lei nº 014/2014: biografia de João Saul de Góes Machado e registro de sua participação no Batalhão de Suez.
Jornalismo de Guerra — levantamento histórico sobre descendentes de ucranianos na FEB: informações sobre os cerca de 60 soldados de Prudentópolis e os 26 sobrenomes eslavos identificados.
Acervo sobre a família Beló: informações sobre Miguel Beló, José Beló e Estefano Beló e suas diferentes participações durante a Segunda Guerra Mundial.
Observação jornalística: a informação de que Prudentópolis enviou cerca de 60 soldados para a FEB é apresentada em levantamentos históricos especializados, enquanto a Prefeitura confirma oficialmente a existência do monumento dedicado aos ex-combatentes prudentopolitanos. A relação nominal completa dos 60 soldados não foi localizada em uma fonte pública oficial municipal consultável nesta pesquisa; por isso, os nomes individuais foram citados apenas quando encontrados em fontes documentais ou históricas específicas.
