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08/09/26 - às 10:05
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A sucessão familiar rural é um dos principais desafios para a continuidade da agricultura em Prudentópolis, mas experiências registradas no município mostram que o interesse dos filhos de produtores em permanecer no campo ainda existe. Um dos casos mais claros foi documentado pelo Sistema FAEP em 2018, quando jovens de uma família de agricultores que participaram do programa Herdeiros do Campo passaram a iniciar suas próprias lavouras. Entre eles estava Bruno Willian Pontarolo, então com 18 anos, que solicitou 25 mil mudas de tabaco em seu próprio nome para começar uma atividade independente. Anos depois, outra história registrada em Prudentópolis mostrou a jovem produtora Aline Slota trabalhando ao lado do pai, operando máquinas e cultivando soja, feijão, trigo e erva-mate.
Sucessão familiar não significa simplesmente esperar que um filho receba a propriedade quando os pais morrerem.
O processo começa enquanto os pais ainda estão trabalhando e envolve a transferência gradual de conhecimento, responsabilidades, gestão e tomada de decisões.
O próprio Sistema FAEP estrutura o programa Herdeiros do Campo em três dimensões: família, empresa e propriedade. A proposta é que diferentes gerações discutam antecipadamente como será o futuro do negócio rural. Atualmente, o programa tem carga horária de 46 horas e exige a participação de pelo menos duas gerações da mesma família.
Esse modelo é importante porque uma propriedade rural não depende apenas da terra. Existe conhecimento acumulado durante décadas: época de plantio, escolha das culturas, manejo, relação com compradores, utilização de máquinas, administração das despesas e compreensão das características de cada comunidade.
Quando um filho assume a atividade, portanto, ele recebe muito mais do que patrimônio. Recebe também um conhecimento que foi construído dentro da família.

Um dos registros mais significativos encontrados na pesquisa é justamente de Prudentópolis.
Em agosto de 2018, o Sistema FAEP publicou uma reportagem sobre uma turma do Herdeiros do Campo realizada no município em parceria com a Souza Cruz.
A experiência teve resultado prático: filhos de fumicultores que participaram do programa fizeram pedidos individuais de mudas para começar seus próprios negócios.
Um deles era Bruno Willian Pontarolo, de 18 anos, que solicitou 25 mil mudas de tabaco em seu nome.
Na época, o jovem relatou que o curso havia mostrado a importância do diálogo e do planejamento dentro da propriedade.
Esse caso é importante porque demonstra uma situação diferente daquela em que o jovem simplesmente permanece ajudando os pais.
Ele passou a enxergar a propriedade também como possibilidade de construir seu próprio negócio.
Outro exemplo encontrado na pesquisa é o da jovem produtora Aline Slota, de Prudentópolis.
Em entrevista publicada pelo AgroRegional, Aline contou que decidiu continuar na agricultura por ter crescido trabalhando no campo.
Na propriedade da família, ela trabalha ao lado do pai, Silvestre Slota, no cultivo de soja, feijão e trigo. A jovem também aprendeu a operar máquinas agrícolas e participa dos períodos de plantio e colheita.
Além dessas culturas, ela iniciou uma atividade com erva-mate, chegando a quatro alqueires plantados no momento da reportagem.
O caso mostra uma característica importante da sucessão moderna: o jovem não necessariamente precisa repetir exatamente o modelo utilizado pelos pais.
Ele pode manter a atividade agrícola e, ao mesmo tempo, introduzir novas culturas, tecnologias, equipamentos e formas de administrar a propriedade.
Os números ajudam a explicar por que a sucessão familiar é tão importante para Prudentópolis.
Um estudo publicado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, utilizando dados do Censo Agropecuário de 2017, aponta que Prudentópolis representava 2,49% do total de agricultores familiares do Paraná, colocando o município entre aqueles com maior concentração desse segmento no Estado.
No Paraná como um todo, a agricultura familiar representava aproximadamente 75% dos estabelecimentos agropecuários, segundo a mesma pesquisa baseada no Censo Agropecuário de 2017.
Isso ajuda a entender por que discutir a permanência dos filhos no campo não é apenas uma questão familiar.
É também uma discussão sobre produção de alimentos, geração de renda, comércio, cooperativismo e manutenção das comunidades rurais.
Aqui é preciso ter cuidado com os números.
Não há, nas fontes consultadas, uma pesquisa recente e específica de Prudentópolis que mostre, em porcentagem, quantos filhos de agricultores desejam permanecer no campo.
Por isso, não seria correto afirmar que “X% dos jovens querem ficar” ou que “a maioria quer sair”.
O que as fontes permitem afirmar é que existem jovens que escolheram permanecer, e que instituições do setor rural estão tratando a sucessão como uma questão estratégica.
Em 2025, por exemplo, a CNA registrou a participação de jovens filhos de produtores em atividades ligadas à formação de novas lideranças rurais durante encontro realizado em Prudentópolis. A discussão envolveu justamente a preocupação com a falta de sucessão e a preparação dos jovens para assumirem não apenas as propriedades, mas também posições de liderança.
Mais recentemente, em julho de 2026, Prudentópolis esteve entre os municípios representados em um encontro regional do Sistema FAEP realizado em Bituruna, que reuniu produtores de 11 municípios para discutir sucessão familiar e fortalecimento do agronegócio.

A permanência de um filho na propriedade não acontece simplesmente porque ele é o herdeiro.
Estudos sobre sucessão rural apontam que fatores como participação na gestão, diálogo entre gerações, remuneração e possibilidade de tomar decisões influenciam diretamente a continuidade da atividade.
Uma pesquisa publicada na Revista de Política Agrícola, da Embrapa, analisou 82 jovens filhos de produtores de leite em 35 municípios do Rio Grande do Sul e identificou que o compartilhamento das decisões entre pais e filhos favorece a sucessão, enquanto conflitos entre gerações podem dificultar o processo.
A lógica pode ser aplicada à realidade de outras regiões, mas é importante não apresentar esse estudo como se fosse uma pesquisa feita em Prudentópolis.
Tecnologia muda a relação dos jovens com a agriculturaTambém existe uma diferença importante entre a agricultura praticada pelos pais e aquela que os filhos podem assumir.
A nova geração chega ao campo com maior contato com tecnologia, internet, máquinas modernas, aplicativos, informações de mercado e novas técnicas de produção.
Isso pode transformar a propriedade familiar em um negócio mais profissionalizado.
O desafio passa a ser fazer com que a tecnologia esteja acompanhada de planejamento financeiro e participação dos jovens nas decisões.
Não basta entregar uma máquina nova ao filho. É necessário que ele também tenha espaço para decidir como produzir, onde investir e quais caminhos seguir.
| Indicador | Número |
|---|---|
| Estabelecimentos agropecuários do Paraná | 305.154 |
| Estabelecimentos de agricultura familiar | 228.888 |
| Participação da agricultura familiar | 75% |
| Estabelecimentos não familiares | 76.266 |
| Participação não familiar | 25% |
Fonte: estudo publicado pela UEPG com dados do Censo Agropecuário 2017/IBGE.
Leitura para a matéria: aproximadamente três em cada quatro estabelecimentos agropecuários do Paraná eram classificados como agricultura familiar no Censo 2017.
Participação de Prudentópolis no total de agricultores familiares do Paraná: 2,49%
Esse número merece uma observação importante: não significa que 2,49% das propriedades de Prudentópolis sejam familiares. O dado indica a participação do município no total de agricultores familiares existentes no Paraná em 2017.
Isso coloca Prudentópolis entre os municípios paranaenses com maior concentração de agricultores familiares.

A resposta mais correta é: sim, há filhos de produtores em Prudentópolis que ainda enxergam futuro no campo, mas não é possível afirmar que isso represente a maioria dos jovens do município.
Os casos encontrados mostram que existe uma parcela da nova geração interessada em continuar a atividade rural. Alguns estão assumindo parte das propriedades dos pais; outros estão criando suas próprias lavouras e diversificando a produção.
Ao mesmo tempo, o próprio surgimento de programas como o Herdeiros do Campo, a discussão sobre sucessão nos encontros de produtores e a criação de uma formação agrícola no município mostram que a continuidade das propriedades familiares é uma preocupação concreta do setor.
A grande questão para os próximos anos não é apenas “o filho vai herdar a terra?”.
É:
“O filho vai querer viver da terra?”
E essa resposta depende de fatores como renda, acesso à tecnologia, educação, infraestrutura, participação nas decisões, qualidade de vida e capacidade de transformar a propriedade em um negócio capaz de sustentar uma nova geração.
Em Prudentópolis, onde a agricultura familiar tem forte presença, a sucessão não representa apenas a continuidade de uma propriedade. Representa a possibilidade de manter comunidades rurais, conhecimentos, culturas e uma parte importante da economia do município funcionando de uma geração para outra.
