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Uma das mudanças mais silenciosas — e talvez a mais profunda — da Reforma Tributária está na forma como os tributos serão apurados. Hoje, no modelo de apuração escritural, o contribuinte calcula, declara e recolhe seus próprios tributos com base nos registros de suas operações. O Fisco apenas homologa depois. Toda a responsabilidade está nas mãos de quem emite o documento fiscal.
Com a apuração assistida, esse jogo vira de cabeça para baixo. O Fisco passa a consolidar automaticamente os débitos e créditos de IBS e CBS a partir dos documentos fiscais eletrônicos já emitidos (NF-e, NFS-e, CT-e, entre outros). O cálculo sai da mão do contribuinte e vai para a mão da autoridade tributária. À empresa, cabe apenas validar — aceitando, ajustando ou contestando a apuração que o Fisco apresentar.
Na prática, isso significa uma inversão completa de responsabilidade: se antes o contribuinte declarava e o Fisco homologava, agora o Fisco calcula e o contribuinte confere.
Como funciona o novo fluxo:
A principal exigência para o contribuinte será a emissão correta do documento fiscal eletrônico, com os novos códigos fiscais específicos. As obrigações acessórias tradicionais encolhem drasticamente.
Quem está dentro? Empresas do Lucro Presumido e Lucro Real (regime regular) entram automaticamente na apuração assistida. O Simples Nacional que optar pelo regime regular de CBS/IBS (o chamado Simples Híbrido) também estará sujeito. Quem permanecer no Simples Nacional puro continua recolhendo pelo DAS, fora do novo sistema.
O que isso significa para você?
Para o empresário, o recado é claro: a apuração assistida reduz a complexidade do cálculo tributário, mas aumenta o peso da emissão do documento fiscal. Um erro na NF-e hoje gera retificação; amanhã, pode significar um tributo calculado errado que o Fisco já considerou como devido. A disciplina fiscal precisará ser redobrada na ponta da emissão — e a área de TI e fiscal da sua empresa precisará estar alinhada como nunca.
Para o consumidor, a mudança é igualmente relevante, ainda que indireta. Com o Fisco calculando os tributos com base nos documentos fiscais, a guerra fiscal entre estados tende a perder força, e a carga tributária embutida nos preços pode se tornar mais previsível e transparente. Além disso, o modelo reduz o espaço para sonegação na cadeia — o que, em tese, significa mais arrecadação sem aumento de alíquota e, potencialmente, mais recursos para serviços públicos. O consumidor final, que sempre pagou os tributos sem ver, finalmente poderá enxergar com mais clareza o quanto cada produto ou serviço realmente custa em impostos.
Resumindo
