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Algumas pessoas passam a vida inteira de dieta, tentando eliminar o que o espelho mostra. Outras passam a vida carregando um peso que não aparece na balança, e é justamente esse o mais difícil de perder. É o tipo de peso que não deixa marca no corpo, mas entorta a alma. E o mais intrigante é que a maioria nem percebe que anda curvada.
A gente se acostuma a caminhar com pedras na mochila. Pior: acredita que foi a vida quem colocou ali, quando na verdade, fomos nós que aceitamos carregar. E carregamos de tudo: expectativas, culpas, obrigações, promessas antigas e até dores que nem são nossas.
Esse peso invisível assume formas diversas. Às vezes, é o olhar exigente dos outros, que vira uma lente interna. A gente começa tentando agradar, termina se perdendo. Às vezes, é a culpa herdada de gerações, silenciosa, mas firme, como uma herança emocional que ninguém pediu, mas todo mundo aceitou. E há também o peso da autocrítica: aquele que nunca se dá folga, que não aceita erro, que transforma até descanso em dever.
De fora, tudo parece normal. O colega vê eficiência. A família vê presença. O mundo vê produtividade.
Mas por dentro, o corpo reclama, o coração pesa e o olhar perde o brilho.
É o cansaço de quem não sabe mais o que é leveza, porque aprendeu que ser forte é aguentar tudo, quando na verdade, ser forte é saber o que soltar.
Esse peso é traiçoeiro. Ele não grita, mas vai apagando a alegria aos poucos, drenando a vitalidade e reduzindo o prazer de existir. É como tentar dançar com um colete de chumbo: o movimento acontece, mas sem graça, sem ritmo, sem alma.
E o antídoto, curiosamente, não é “carregar melhor”. É perceber que talvez você esteja carregando o que não é seu. Muitas vezes, o que dói em nós começou antes de nós. São histórias que não nos pertencem, dores herdadas de pais, avós, bisavós; lealdades invisíveis que nos fazem repetir padrões só para manter o pertencimento. Quando trazemos isso à consciência, o corpo começa a respirar diferente. A alma, então, finalmente relaxa.
Soltar o que não é nosso exige coragem. Porque abrir a mochila é encarar o que está lá dentro, e às vezes, descobrir que parte daquele peso serve de desculpa. Enquanto digo “não posso seguir em frente porque estou sobrecarregada”, não preciso admitir que tenho medo de mudar. O peso, nesse caso, vira um álibi elegante para não caminhar.
Mas a vida é irônica. Muitas das pedras que juramos serem de concreto, na verdade, são de isopor. Carregamos dramas imaginários, medos que nunca se confirmaram, culpas que nunca foram nossas. E quando soltamos, percebemos que o que doía não era o peso, era o apego.
Então, talvez a pergunta mais honesta não seja “como aguentar mais?”, mas o que eu posso deixar pelo caminho?”. Porque leveza não é ausência de peso, é escolher carregar apenas o que tem sentido.
No fim, o peso invisível se dissolve quando decidimos andar apenas com a nossa própria bagagem. E aí, algo muda. O passo fica mais firme. O olhar, mais vivo. A vida, mais nossa.
Porque ninguém nasceu para arrastar pedras. A gente nasceu para caminhar livre, e lembrar, todos os dias, que o verdadeiro emagrecimento da alma começa quando ela aprende a devolver o que nunca lhe pertenceu.