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Dezembro sempre chega com esse ar de “último capítulo”, como se a vida estivesse nos chamando para uma conversa séria, aquela que a gente adiou o ano inteiro e agora não tem mais como fingir que não viu. É engraçado observar como nós, como povo, como gente que sente, tentamos nos comportar como se o calendário tivesse superpoderes: 1º de janeiro, e pronto, tudo recomeça. Quando, na verdade, a gente sabe que o mês seguinte é só… o mês seguinte. Quem muda somos nós, e só quando queremos.
Ainda assim, dezembro é especial. Ele nos oferece uma pausa simbólica: não dá para negar que há algo no ar, uma mistura de cansaço, esperança e lucidez que só aparece quando o ano está fechando a porta. A gente olha para trás e tenta entender o que vale a pena levar para 2026 e o que precisa ficar exatamente onde está: em 2025, bem arquivado, com recibo de aprendizado e sem possibilidade de troca.
E aqui entra a pergunta que, como humanidade, talvez precisássemos fazer com mais frequência: o que permaneceu em nós quando tudo ao redor mudou? Porque mudou, para todo mundo. Para alguns, foi um ano de bênçãos; para outros, de turbulências; para muitos, foi aquele ano que a gente simplesmente sobreviveu com dignidade, fé e café. Mas o fio comum é esse: algo mudou. Sempre muda. E, mesmo assim, permanecemos.
E permanecer não é pouco.
Permanecer é saber que muitas coisas nos atravessaram, algumas até tentaram nos desarrumar por dentro, mas seguimos em pé. Às vezes tortos, mas em pé. E isso já nos diz muito sobre o que realmente importa: nem tudo o que carregamos deve seguir conosco; às vezes, o mais valioso é justamente o que conseguimos deixar pelo caminho.
Tem um pedaço de nós que nasceu este ano, mesmo que a gente não tenha percebido. Um jeito novo de olhar para a vida, uma percepção sobre nós mesmos, uma coragem que antes não existia, um limite que finalmente aprendemos a colocar. Também tem outro pedaço que precisa partir com gratidão. Mas partir mesmo. Porque, se insistirmos em levar, sabemos que 2026 começará com excesso de bagagem emocional, e nós já estamos cansados o suficiente para entender que isso nunca termina bem.
E aqui entra outra questão essencial: o que precisamos devolver ao outro para poder voltar a nós? Porque, sim, passamos o ano carregando expectativas que não eram nossas, tentando resolver problemas que não nos pertenciam, segurando emoções que nunca tiveram o nosso nome escrito. Dezembro, com essa sabedoria silenciosa, parece sussurrar: “entrega, devolve, solta; você não é depósito de nada disso”.
E nós sabemos. No fundo, nós sempre soubemos.
Devolver não é afastar. Não é ruptura. É colocar cada coisa no seu lugar para poder ocupar o nosso. É quase um ato de fé: acreditar que a vida fica mais leve quando paramos de carregar aquilo que nunca foi nosso papel carregar.
Dezembro também nos dá uma espécie de humor involuntário, aquele riso meio nervoso que surge quando percebemos que fizemos listas, promessas, planejamentos e, no fim, a vida fez do jeito dela. A gente planeja, Deus organiza, e o ano executa. E assim vamos aprendendo a não brigar tanto com o fluxo das coisas.
E se dezembro não fosse sobre começar um novo ciclo, mas sobre encerrar com consciência o anterior? E se, antes de pensar no que queremos para 2026, nós olhássemos com carinho e honestidade para quem nos tornamos em 2025? E se, no lugar de metas impossíveis, escolhêssemos apenas verdade, responsabilidade interna e aquela coragem íntima que só aparece quando estamos exaustos o suficiente para parar de mentir para nós mesmos?
Talvez essa seja a verdadeira magia do fim do ano: a chance de voltarmos para casa, a nossa casa interna, e perguntarmos com sinceridade: O que em mim continua vivo? O que em mim precisa morrer? E o que Deus ainda está germinando no invisível?
Porque, no fim das contas, 2026 não será diferente se nós formos os mesmos. Não adianta pedir um ano leve se insistirmos em levar nossas pedras favoritas na mochila. Não adianta querer paz com o mundo se ainda travamos guerra contra nós mesmos.
Mas, se dezembro nos chamou para essa conversa, talvez seja porque estamos prontos. Prontos para devolver, para soltar, para agradecer, para seguir. Prontos para reconhecer o que permanece, e honrar o que precisa ir. Prontos para entrar no próximo mês, não como quem espera milagres, mas como quem se tornou capaz de recebê-los.
E, por fim, prontos para viver 2026 exatamente como a vida gosta: com presença, com propósito, com humor sutil para atravessar os dias difíceis e, principalmente, com Deus guiando o que os nossos olhos ainda não veem.