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28/02/26 - às 10:31
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O dia 28 de fevereiro marca a memória de uma das figuras mais marcantes da história religiosa da comunidade ucraniana no Paraná: Irmã Ambrósia Ana Sabatovich (1894–1943), reconhecida como Serva de Deus pela Igreja Católica. Sua trajetória é marcada pela fé, pelo trabalho incansável em favor dos mais necessitados e por um gesto final de coragem que atravessou gerações.
Nascida em 2 de agosto de 1894, na aldeia de Turynka, na região de Zhovkva, na Ucrânia, recebeu no batismo o nome de Ana Sabatovich. Filha de Nicolau Sabatovycz e Justina Skoropad, cresceu em uma família simples de agricultores, que, assim como milhares de outros ucranianos no fim do século XIX, enfrentava a escassez de terras e dificuldades econômicas. Buscando melhores condições de vida, seus pais decidiram emigrar.
Ana chegou ao Brasil ainda criança, em setembro de 1895, junto com sua família, estabelecendo-se nas imediações de Prudentópolis, no Paraná município que se tornaria referência da imigração ucraniana no país. Foi nesse ambiente, profundamente marcado pela fé e pelas tradições do povo ucraniano, que ela cresceu, frequentando a Igreja de São Basílio Magno e sendo formada nos valores cristãos que guiariam toda a sua vida.
Em 1911, a chegada das primeiras Irmãs Servas de Maria Imaculada da Ucrânia ao Brasil exerceu forte influência sobre a jovem Ana. Aos 22 anos, sentindo o chamado à vida religiosa, ingressou na congregação. Em 22 de dezembro de 1925, professou seus votos perpétuos, assumindo definitivamente a missão de servir a Deus e ao próximo.
Irmã Ambrósia não media esforços na vida religiosa. Nos primeiros anos, dedicou-se aos trabalhos domésticos cuidando da cozinha e da horta e, com o tempo, passou a atuar também como enfermeira, aprendendo a cuidar dos doentes com zelo e compaixão. Sua vida foi marcada pelo serviço silencioso, pela disciplina e pela entrega total às necessidades das comunidades onde atuava.
Ao longo dos anos, trabalhou em diversas localidades do Paraná e de Santa Catarina. Em 1931, foi enviada, juntamente com outras duas religiosas, para fundar uma nova comunidade na Colônia Marcelino, em São José dos Pinhais. Ali, desempenhou múltiplas funções: professora, catequista, enfermeira e responsável pelos serviços gerais. Também lecionava Língua Ucraniana, ajudando a preservar a identidade cultural dos descendentes de imigrantes.
Posteriormente, foi transferida para Curitiba e, depois, para Rio das Antas, no município de Cruz Machado, no sul do Paraná. Foi ali que sua história ganhou contornos de tragédia e heroísmo.
Na madrugada de 28 de fevereiro de 1943, por volta das três horas, um incêndio de grandes proporções atingiu a residência onde funcionava o internato das meninas sob os cuidados das irmãs. Ao perceber o fogo, Irmã Ambrósia orientou as demais religiosas para que buscassem salvar-se. Mesmo diante do avanço rápido das chamas, tentou resgatar as meninas internas que estavam no dormitório no andar superior.
A escada que dava acesso ao local foi rapidamente consumida pelo fogo, impedindo o salvamento. Em meio à fumaça e às chamas, Irmã Ambrósia permaneceu tentando salvar as internas. O incêndio destruiu completamente a residência. Ela e seis meninas morreram no local.
Sua morte não foi apenas consequência de um acidente. Foi o desfecho de uma vida dedicada ao serviço, coroada por um ato extremo de caridade e coragem. Irmã Ambrósia morreu tentando salvar vidas fiel até o último instante à missão que abraçou ainda jovem.
O reconhecimento como Serva de Deus representa o primeiro passo no processo de beatificação na Igreja Católica, destacando sua fama de santidade e o testemunho heroico de fé. Sua história permanece viva na memória da comunidade ucraniana do Paraná e inspira gerações pela entrega absoluta ao próximo.
No dia 28 de fevereiro, recordar Irmã Ambrósia é relembrar que a verdadeira grandeza se revela no amor que não mede consequências um amor capaz de enfrentar o fogo para proteger os outros.
