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25/12/25 - às 09:00
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Fotos: Reprodução Rubryka
Muito antes da árvore de Natal se tornar o principal símbolo das celebrações natalinas, o povo ucraniano já marcava esse período com o Didukh, um feixe ritual feito de palha e espigas que representa prosperidade, bem-estar familiar, harmonia no lar e a ligação entre gerações. De origem pré-cristã, a tradição sobreviveu ao tempo, incorporou elementos do cristianismo e permanece viva tanto na Ucrânia quanto entre comunidades descendentes espalhadas pelo mundo, incluindo o Brasil, onde Prudentópolis se destaca por preservar fortemente esse costume.
O Didukh nasce da relação direta entre o ser humano e a natureza. Para os antigos povos eslavos, o período das festas simbolizava o renascimento da luz e o início de um novo ciclo, essencial para a vida e para a agricultura. Por isso, o feixe ritual era confeccionado, na maioria das vezes, com o último feixe colhido no campo, feito de trigo, centeio ou aveia, grãos associados à sobrevivência, ao alimento e à continuidade da vida.
A própria palavra “Didukh” significa “o mais velho”, remetendo ao ancestral da família. Em sua simbologia, o feixe representa uma verdadeira Árvore do Mundo, unindo diferentes planos da existência. As “pernas” do Didukh simbolizam as raízes e o mundo dos antepassados, a parte central representa o mundo dos vivos, e as sementes das espigas remetem ao plano superior, associado à luz, à proteção e à renovação. O número sete, frequentemente presente na estrutura do feixe, reforça esse simbolismo, representando dias da semana, gerações e ciclos da natureza.
Além das espigas, o Didukh é tradicionalmente decorado com flores secas, flores de papel, ramos de viburno, ervas medicinais, fitas coloridas e frutos, elementos que reforçam o desejo de saúde, prosperidade e equilíbrio para a família. Cada detalhe da ornamentação carrega um significado, transformando o feixe em um amuleto completo de proteção e boas colheitas.
Tradicionalmente, o Didukh era levado para dentro da casa com rituais e frases simbólicas, sendo colocado no local mais honroso do lar, conhecido como canto sagrado. Acreditava-se que, com sua chegada, os espíritos dos antepassados também visitavam a família durante as festas, trazendo proteção, equilíbrio e prosperidade. Próximo ao feixe, eram colocados pratos típicos, como kutia e uzvar, fortalecendo o vínculo entre alimento, memória e espiritualidade.
As tradições variavam de região para região. Em algumas localidades, a entrada do Didukh era acompanhada por diálogos cerimoniais, em outras, havia o costume de convidar simbolicamente forças da natureza para compartilhar a refeição, como forma de apaziguá-las. Após o período festivo, os grãos do Didukh eram reaproveitados no plantio, enquanto a palha podia ser queimada, simbolizando o retorno das almas ancestrais ao plano espiritual.
Longe de ser apenas uma prática do passado, o Didukh mantém forte presença na atualidade. Cidades como Lviv, Kyiv, Vinnytsia, Ivano-Frankivsk e Ternopil instalam grandes feixes rituais em espaços públicos durante o período natalino, reforçando a identidade cultural ucraniana. Artesãos populares produzem Didukhs para museus, exposições e uso doméstico, mantendo vivas as técnicas tradicionais e transmitindo o conhecimento entre gerações.

Didukh em Rivne (Fonte Rubryka)
Entre os descendentes de ucranianos no Brasil, o Didukh segue como um dos símbolos mais significativos do Natal. Em Prudentópolis, município reconhecido nacionalmente pela forte herança ucraniana, o feixe de trigo é presença comum nas casas, muitas vezes ao lado da árvore de Natal. Essa convivência entre símbolos reflete a capacidade da tradição de se adaptar ao tempo sem perder seu significado original.
Mais do que um enfeite, o Didukh representa raízes, identidade e pertencimento. Ao atravessar séculos, fronteiras e gerações, o símbolo reafirma a importância de preservar a memória coletiva e manter viva uma tradição que continua unindo passado, presente e futuro dentro dos lares ucranianos e de seus descendentes.
Fonte: Rubryka (Ukrainian Solutions Media)