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23/02/26 - às 09:38
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Prudentópolis é reconhecida como um dos principais polos produtores de fumo do Paraná e do Brasil, atividade que sustenta milhares de famílias da agricultura familiar e movimenta grande parte da economia rural do município. Presente em inúmeras comunidades do interior, a fumicultura representa geração de renda, permanência do agricultor no campo e tradição passada entre gerações. No entanto, junto à importância econômica, surgem também desafios constantes relacionados às doenças e pragas que podem comprometer completamente uma safra.
O cultivo do tabaco exige alto nível de manejo técnico, principalmente porque a planta é extremamente sensível a patógenos presentes no solo, fungos, bactérias e vírus. Em condições climáticas favoráveis como excesso de umidade e temperaturas elevadas perdas na produção podem variar entre 25% e até 100%, impactando diretamente o produtor rural.
Entre as doenças mais preocupantes estão as chamadas murchas vasculares, que atingem o sistema interno da planta e impedem a circulação de água e nutrientes. 
A murcha bacteriana, popularmente conhecida como amarelão, é considerada uma das mais agressivas. Causada pela bactéria Ralstonia solanacearum, ela invade o sistema vascular da planta, provocando o amarelamento rápido das folhas e o murchamento repentino, muitas vezes começando apenas em um lado do pé de fumo. Em estágios avançados, o caule apresenta escurecimento interno e liberação de secreção bacteriana, indicando a morte da planta.
Outra doença frequente é a murcha de Fusarium, provocada pelo fungo Fusarium oxysporum. Muito comum em regiões tropicais, ela causa sintomas semelhantes ao amarelão, porém com coloração marrom-chocolate nos vasos internos da planta. Esse fungo permanece no solo por longos períodos, dificultando o controle e exigindo planejamento agrícola constante.
Já a murcha de Verticillium costuma aparecer próximo ao período de colheita, iniciando pelas folhas inferiores. Embora evolua de forma mais lenta, também compromete a qualidade final da produção e reduz o valor comercial das folhas.
Além dos problemas de solo, o tabaco também sofre forte pressão de doenças foliares e insetos-praga.
O Vírus do Mosaico do Tabaco (TMV) é um dos mais conhecidos mundialmente. Ele provoca manchas irregulares nas folhas, deformações, enrugamento e redução do crescimento da planta. Sua principal característica é a alta capacidade de contaminação, podendo permanecer em ferramentas, roupas e até nas mãos dos trabalhadores.
Outro grande inimigo da fumicultura é o Mofo Azul, causado pelo fungo Peronospora tabacina. A doença se desenvolve rapidamente em ambientes úmidos e pode destruir grandes áreas de plantio em poucos dias, sendo uma das maiores preocupações dos produtores.
O oídio, identificado por uma camada esbranquiçada sobre as folhas, também reduz significativamente a qualidade do produto, podendo causar perdas de até 30% da produção e comprometer até 70% do valor comercial das folhas.
Entre as pragas, destacam-se os tripes do fumo, insetos que além de causar danos diretos ainda transmitem vírus, e a broca-do-fumo, que interfere no desenvolvimento da planta e reduz o rendimento da lavoura.
Especialistas apontam que o controle dessas doenças depende principalmente da prevenção. A rotação de culturas é uma das práticas mais eficientes para reduzir a presença de patógenos no solo, interrompendo o ciclo das doenças.
O uso de variedades resistentes, aliado ao manejo correto da irrigação e drenagem do solo, também reduz significativamente os riscos, já que ambientes encharcados favorecem a proliferação de bactérias e fungos.
Outro fator essencial é a sanidade da lavoura, com eliminação de restos culturais após a colheita e controle de plantas daninhas que podem servir como hospedeiras de doenças.
Além das doenças que afetam a planta, existe também uma condição que preocupa diretamente os produtores: a chamada Doença da Folha Verde do Tabaco. Ela ocorre quando trabalhadores entram em contato com folhas molhadas pelo orvalho ou chuva, absorvendo nicotina pela pele.
Os sintomas incluem náuseas, tontura, vômitos, dores de cabeça e irritações cutâneas. Por isso, o uso de equipamentos de proteção individual, roupas adequadas e pausas durante o trabalho são medidas fundamentais para garantir a segurança no campo.

Em Prudentópolis, onde a fumicultura é parte essencial da identidade econômica e social, o combate às doenças do fumo tornou-se uma tarefa diária que envolve conhecimento técnico, acompanhamento agronômico e adaptação às mudanças climáticas.
A realidade do produtor mostra que cada safra é resultado de planejamento, investimento e cuidado constante. Mais do que plantar e colher, produzir fumo exige vigilância permanente contra pragas e doenças que podem comprometer meses de trabalho.
Assim, enquanto o tabaco segue como uma das principais fontes de renda do interior prudentopolitano, cresce também a importância da informação, da tecnologia e do manejo sustentável para garantir produtividade, qualidade e segurança tanto para a lavoura quanto para quem vive dela.