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17/12/25 - às 15:38
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Uma chuva intensa acompanhada de queda de granizo, registrada no início da noite de 24 de novembro, provocou danos significativos em plantações de fumo no interior de Prudentópolis, um dos municípios que mais se destacam na fumicultura paranaense. Diversas localidades rurais foram atingidas, com destaque para a comunidade de Linha Rio Preto, onde produtores relataram perdas expressivas nas lavouras.
De acordo com os primeiros levantamentos feitos no campo, há propriedades em que os danos variam de 30% a 70% da área plantada, dependendo da intensidade do granizo, do estágio de desenvolvimento do fumo e da localização da lavoura. Em alguns casos pontuais, produtores relatam perda quase total das folhas, especialmente em áreas mais expostas, onde as pedras de gelo atingiram diretamente a estrutura das plantas.
Prudentópolis é reconhecida como um dos maiores produtores de fumo do Paraná, atividade que representa uma das principais fontes de renda do meio rural. O cultivo do tabaco movimenta a economia local, gera empregos diretos e indiretos e sustenta centenas de famílias, desde o plantio até a cura, classificação e comercialização. Qualquer prejuízo causado por eventos climáticos extremos impacta não apenas o produtor, mas toda a cadeia econômica ligada à fumicultura.
A ocorrência de granizo agrava um cenário que já vinha sendo considerado desafiador para a safra 2025/26. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Tabaco (Afubra), a produção de tabaco no Paraná deverá apresentar redução, reflexo de um clima mais úmido, noites frias e eventos climáticos severos. No estado, a produção de tabaco tipo Virgínia, principal variedade cultivada, está estimada em 169.864 toneladas, o que representa uma queda de 1,40% em relação à safra anterior. Já o tabaco Burley deve atingir 8.320 toneladas, com redução de 6,52%, enquanto o tabaco comum também apresenta retração, estimada em 7,39%.
Além da diminuição na produção, a expectativa é de uma queda aproximada de 4,8% na produtividade, resultado direto das condições climáticas adversas. Em Prudentópolis, onde grande parte das lavouras está em áreas abertas e dependentes do clima, episódios como o granizo representam um risco elevado, especialmente quando ocorrem em fases sensíveis do desenvolvimento da planta.
Produtores afetados avaliam agora os prejuízos para acionar seguros agrícolas ou buscar renegociações contratuais com as empresas integradoras. Em muitos casos, a perda compromete não apenas o lucro esperado, mas também o equilíbrio financeiro da família rural, que depende do fumo como principal fonte de renda anual.
A situação reforça a vulnerabilidade da agricultura frente às mudanças climáticas e a importância de políticas de apoio ao produtor, investimentos em seguro rural e estratégias de mitigação de riscos. Em Prudentópolis, a fumicultura segue sendo um pilar econômico fundamental, e eventos como o registrado em Linha Rio Preto evidenciam a necessidade de atenção contínua ao setor.
Enquanto os levantamentos continuam nas comunidades atingidas, o sentimento entre os fumicultores é de preocupação e incerteza, em uma safra que já se desenhava mais curta e agora enfrenta perdas adicionais provocadas pela força do clima.
Além de Linha Rio Preto, mais de dez localidades rurais de Prudentópolis foram atingidas na safra de fumo por ventos fortes, sol intenso e chuvas repentinas
Após o plantio, o fumo leva, em média, de 90 a 130 dias para chegar ao ponto de colheita, variando conforme o tipo (Virgínia, Burley ou Galpão Comum). A colheita costuma começar entre 70 e 130 dias após o transplante das mudas e é feita manualmente e em etapas, iniciando pelas folhas de baixo (baixeiro) e seguindo para as superiores conforme amadurecem. Depois, vem a cura, fase essencial para definir cor, textura e qualidade do tabaco: na estufa (Virgínia), dura cerca de 9 dias; já no galpão (Burley/Galpão Comum), a secagem natural pode levar até 30 dias ou mais, dependendo do clima.
O problema é que o mau tempo interfere diretamente nessas duas etapas. Chuva frequente e alta umidade dificultam a colheita, atrasam o trabalho no campo e aumentam o risco de as folhas serem colhidas “pesadas”, com excesso de água, o que favorece manchas, escurecimento, fermentação indesejada e até mofo durante a cura. Ventos fortes podem rasgar folhas, derrubar plantas e reduzir o rendimento, enquanto episódios como granizo causam perfurações e perda de área foliar, baixando a classificação do produto. Já o sol muito forte e calor extremo, quando vêm de forma abrupta, podem “queimar” folhas, acelerar demais a desidratação e prejudicar a uniformidade da cura, resultando em tabaco com cor irregular, textura mais áspera e menor valor comercial. Em resumo: tempo instável atrasa a colheita e aumenta o risco de perda de qualidade, impactando diretamente a renda do produtor.

Foto; Fumicultor Paraná.

Foto; Lavora Rio preto.
