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11/06/26 - às 14:22
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Junho Laranja é uma campanha de conscientização voltada à saúde do sangue, especialmente à anemia e à leucemia. Embora sejam doenças diferentes, ambas carregam algo em comum: muitas vezes começam de forma silenciosa, com sinais que podem ser confundidos com cansaço do dia a dia, estresse, falta de sono ou desgaste da rotina. Por isso, o mês chama a atenção para a importância de observar o corpo, buscar avaliação médica, realizar exames e não normalizar sintomas persistentes.
A anemia é uma condição em que o sangue não consegue transportar oxigênio de maneira adequada para o organismo. Isso acontece, em muitos casos, pela redução da hemoglobina, proteína presente nos glóbulos vermelhos e responsável por levar oxigênio aos tecidos. Quando esse transporte fica comprometido, o corpo inteiro sente. A pessoa pode acordar cansada, passar o dia sem energia, sentir tontura, fraqueza, falta de ar aos pequenos esforços, palpitações, sonolência, dores de cabeça, dificuldade de concentração, queda de rendimento no trabalho ou nos estudos e palidez na pele, nos lábios, nas gengivas e na parte interna dos olhos. 
Entre os tipos mais conhecidos está a anemia ferropriva, causada pela deficiência de ferro. O ferro é essencial para a produção da hemoglobina. Quando está em falta, o organismo começa a funcionar no limite. Essa deficiência pode ocorrer por alimentação inadequada, perdas de sangue, menstruação intensa, gravidez, problemas de absorção intestinal ou outras condições de saúde. Também existem anemias relacionadas à falta de vitamina B12 ou ácido fólico, anemias causadas por doenças crônicas, anemias hereditárias, como a anemia falciforme, e outras formas que precisam de investigação médica.
A anemia não deve ser vista apenas como “falta de vitamina” ou “fraqueza passageira”. Para muitas pessoas, ela afeta diretamente a autoestima e a rotina. Há quem escute que está “sem vontade”, “preguiçoso” ou “desanimado”, quando, na verdade, o corpo está pedindo socorro. Em alguns casos, a pessoa sente fome reduzida, perde o prazer de se alimentar, tem dificuldade para manter uma rotina equilibrada e se frustra por não conseguir ganhar peso, recuperar disposição ou melhorar os níveis de ferro mesmo tentando. É uma sensação de estar sempre em atraso com o próprio corpo, como se qualquer tarefa simples exigisse uma força enorme.
Essa vivência precisa ser acolhida. Quem convive com anemia pode se sentir incompreendido, principalmente quando os sintomas não aparecem de forma visível para os outros. O cansaço é real. A fraqueza é real. A falta de energia é real. E o tratamento correto começa justamente quando a pessoa deixa de ignorar os sinais e procura ajuda para descobrir a causa.
A prevenção da anemia passa por hábitos de cuidado, mas também por acompanhamento. Uma alimentação equilibrada, com alimentos ricos em ferro, proteínas, vitaminas e minerais, pode ajudar na prevenção de alguns tipos de anemia. Carnes, feijão, lentilha, grão-de-bico, vegetais verde-escuros e outros alimentos nutritivos fazem parte desse cuidado. A vitamina C, presente em frutas como laranja, limão, acerola e outras, pode auxiliar na absorção do ferro de origem vegetal. Porém, quando já existe anemia instalada, nem sempre apenas mudar a alimentação é suficiente. Em muitos casos, o tratamento pode incluir suplementação de ferro, vitamina B12, ácido fólico ou outras condutas, sempre com orientação profissional.
A automedicação deve ser evitada. Tomar ferro sem necessidade ou sem acompanhamento pode trazer riscos e mascarar problemas que precisam ser investigados. Por isso, exames laboratoriais são fundamentais para confirmar o diagnóstico, identificar o tipo de anemia e orientar o tratamento adequado.
Já a leucemia é um tipo de câncer que afeta as células do sangue e da medula óssea, local onde são produzidas as células sanguíneas. Na leucemia, ocorre uma produção anormal de células, que passam a se multiplicar de forma descontrolada e prejudicam a formação normal dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Com isso, o corpo pode apresentar sinais como anemia, infecções frequentes, febre persistente, sangramentos, manchas roxas sem explicação, cansaço intenso, palidez, perda de peso sem causa aparente, dores nos ossos ou articulações, aumento de gânglios e suor noturno.
Existem diferentes tipos de leucemia. Entre os principais estão a leucemia linfoide aguda, a leucemia mieloide aguda, a leucemia linfoide crônica e a leucemia mieloide crônica. As formas agudas costumam evoluir mais rapidamente e exigem tratamento imediato. As formas crônicas, em alguns casos, podem ter evolução mais lenta e acompanhamento prolongado. Cada tipo possui características próprias, e o tratamento depende de fatores como idade, condições gerais de saúde, subtipo da doença e resposta do organismo.
O tratamento da leucemia pode envolver quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia, transplante de medula óssea, transfusões, medicamentos de suporte e acompanhamento especializado. A escolha do tratamento é feita pela equipe médica, considerando o tipo de leucemia e a situação de cada paciente. Apesar de ser uma doença que assusta, os avanços da medicina têm ampliado as possibilidades de controle, remissão e cura em muitos casos, especialmente quando o diagnóstico é feito com rapidez e o tratamento começa no momento adequado.
Quando se fala em prevenção da leucemia, é importante ter responsabilidade: nem todos os casos podem ser prevenidos. Muitas leucemias surgem sem uma causa única identificável. Ainda assim, algumas atitudes podem reduzir riscos gerais à saúde, como evitar o tabagismo, reduzir exposição a substâncias químicas perigosas sem proteção, seguir normas de segurança em ambientes de trabalho, manter acompanhamento médico quando necessário e não ignorar sintomas persistentes.
O diagnóstico precoce é uma das mensagens mais importantes do Junho Laranja. Um hemograma simples pode indicar alterações importantes no sangue e direcionar novas investigações. Por isso, sinais como cansaço extremo, palidez, febre sem causa aparente, infecções repetidas, sangramentos, manchas roxas frequentes, perda de peso inexplicada ou fraqueza persistente não devem ser ignorados.
Junho Laranja também é um convite à empatia. Por trás de cada diagnóstico existe uma pessoa tentando continuar sua rotina, cuidar da família, estudar, trabalhar, sorrir e manter a esperança. Existe a criança que não consegue acompanhar os colegas porque está sempre cansada. Existe o jovem que tenta ganhar peso, mas não consegue porque o corpo está em desequilíbrio. Existe a mulher que convive com menstruação intensa e acha normal viver fraca. Existe o idoso que perde disposição e acredita que é apenas “coisa da idade”. Existe a família que recebe o diagnóstico de leucemia e precisa reorganizar a vida em torno do tratamento.
Falar sobre anemia e leucemia é falar sobre cuidado antes que seja tarde. É lembrar que o corpo dá sinais. É reforçar que procurar atendimento médico não é exagero. É mostrar que exames salvam, informação protege e diagnóstico precoce pode mudar histórias. 
Neste Junho Laranja, a mensagem é clara: observe seu corpo, cuide da sua saúde e incentive quem você ama a fazer o mesmo. Cansaço constante não deve ser ignorado. Palidez persistente não deve ser normalizada. Fraqueza diária não deve ser tratada como falta de esforço. Sangramentos, manchas roxas e infecções frequentes precisam de atenção.
A saúde do sangue sustenta a vida. E quando o sangue adoece, o corpo inteiro pede cuidado.
