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26/12/25 - às 09:00
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Os cantos de Natal ucranianos, conhecidos como koliadky (ou “kolhadas”, como ficou popular no Brasil), seguem como uma das tradições mais marcantes do período natalino: grupos organizados percorrem casas cantando, levando uma estrela natalina e anunciando a boa nova do nascimento de Jesus Cristo, em uma tradição que une fé, memória familiar e identidade cultural.
De origem muito antiga, a prática das Koliady aparece ligada tanto às celebrações cristãs quanto a costumes anteriores ao Cristianismo. Pesquisadores apontam diferentes explicações para o nome: há quem relacione o termo a antigas festividades romanas e quem associe a palavra a referências eslavas antigas ligadas ao inverno e aos ciclos da natureza. Com a cristianização da região da atual Ucrânia, a partir de 988, a tradição foi incorporada ao Natal, embora várias canções mantenham elementos simbólicos mais antigos, mostrando como o folclore se adaptou sem perder completamente suas raízes.
Na celebração ucraniana, os cantos costumam começar ainda na noite da ceia e seguem durante as celebrações religiosas. Depois disso, grupos de pessoas se reúnem para visitar as casas, levando música e mensagens de esperança. Esses grupos são chamados de koliadnyky, e, além de celebrarem o nascimento de Cristo, também entoam versos com desejos de prosperidade, fartura, felicidade e um bom ano para a família que recebe a visita e, em troca, costumam ganhar guloseimas e acolhimento.
Algumas canções se tornaram amplamente conhecidas fora da Ucrânia. Há músicas tradicionais associadas diretamente ao Natal, e também repertório ligado ao período de festas que continua após o dia 25, alcançando datas como o Ano Novo e Iordán. Uma dessas melodias ganhou projeção mundial depois de receber versão em inglês e ficar popularmente conhecida como “Carol of the Bells”, mostrando como parte desse patrimônio atravessou fronteiras e se reinventou em diferentes países.
A tradição também carrega marcas de resistência histórica. Durante a União Soviética, práticas religiosas e expressões culturais consideradas “nacionalistas” foram reprimidas, e cantar koliadky podia ser motivo de perseguição. Mesmo assim, comunidades mantiveram os costumes de forma discreta, o que ajudou a garantir que a herança chegasse aos dias atuais.
Além da música, há regiões e grupos que incluem apresentações cênicas no roteiro das visitas. Uma das formas mais conhecidas é o Вертеп (Vertep), um tipo de teatro itinerante em que participantes se fantasiam e encenam a narrativa do nascimento de Cristo, passando de casa em casa com cantos e pequenas representações.

Estudantes levam canções Natalinas e Vertep para a linha de frente (Fundação da Universidade Católica Ucraniana)
No Brasil, as kolhadas vieram na bagagem dos imigrantes ucranianos e se fortaleceram ao longo das décadas dentro das comunidades. Em muitas localidades, é comum que jovens saiam no dia 26, levando a estrela natalina e cantando com alegria, como uma forma de mostrar que a tradição não ficou no passado: ela segue viva, ensinada na prática e transmitida de geração em geração, unindo famílias e reforçando laços com a cultura ucraniana.