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05/01/26 - às 14:54
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Foto: Embaixada da Ucrânia no Brasil
Lesya Ukrainka, nome literário de Laryssa Kossach, nasceu em 25 de fevereiro de 1871, em Novohrad-Volynskiy, na atual Ucrânia. Considerada uma das maiores escritoras da história do país, ela teve papel fundamental na consolidação da literatura ucraniana moderna, utilizando a poesia, o teatro e a prosa como instrumentos de afirmação cultural, resistência política e reflexão social em um período marcado por repressões e limitações à identidade nacional ucraniana.
Ainda na infância, Lesya enfrentou graves problemas de saúde. No inverno de 1881, após um resfriado, desenvolveu uma doença que em 1883 foi diagnosticada como tuberculose óssea. Em razão das limitações físicas impostas pela enfermidade, passou a estudar em casa, com professores particulares e com o acompanhamento da mãe. Esse período contribuiu para sua sólida formação intelectual: Léssia dominou diversas línguas europeias, incluindo idiomas eslavos como russo, polonês e búlgaro, além do grego antigo e do latim, o que ampliou significativamente seu repertório cultural e literário.
A escrita começou cedo. Aos nove anos, Lesya já produzia poesia, e em 1884 teve seus primeiros textos publicados na revista “Estrela”, de Lviv, com os poemas “Convalária” e “Safó”, assinados pela primeira vez com o pseudônimo que a tornaria conhecida. A partir da metade da década de 1880, sua carreira literária ganhou força quando a família se mudou para Kyiv e ela passou a integrar o círculo literário “Plêiada”. Seu primeiro livro, “Nas asas das canções”, foi lançado em 1893, seguido por “Reflexões e sonhos”, em 1899, e “Ressonâncias”, em 1903. Ao longo de sua vida, escreveu mais de uma centena de poemas, muitos dos quais só vieram a público após sua morte. 
Na segunda metade da década de 1890, Léssia Ukrainka ampliou sua atuação artística ao se dedicar ao teatro. Sua primeira peça, “Rosa Azul” (1896), abordou a vida dos intelectuais ucranianos. Na sequência, desenvolveu o gênero do poema dramático, utilizando referências da literatura mundial para criar obras de forte densidade simbólica e filosófica. Entre seus trabalhos mais importantes estão “Canção de Floresta” (1911), considerada sua obra-prima, e “Dono de Pedra” (1912). Em “Canção de Floresta”, a personagem Mavka, uma ninfa da floresta, representa não apenas uma figura mítica, mas uma síntese do pensamento artístico e humanista da autora.
Além da literatura, Lesya Ukrainka teve atuação política e social relevante. No início do século XX, aproximou-se do movimento socialdemocrata ucraniano, participando da difusão de literatura socialista e marxista, da tradução de obras teóricas e da circulação desses materiais dentro e fora do Império Russo. Nos textos produzidos em 1913, último ano de sua vida, reforçou a reflexão sobre o papel social do artista. O tríptico lírico-épico “O que nos dará a força?”, “Milagre de Orfeu” e “Sobre o gigante”, dedicado a Ivan Frankó, evidencia sua convicção de que a arte deve cumprir uma missão cívica e transformadora.
A importância de Lesya Ukrainka para a Ucrânia é reconhecida oficialmente até os dias atuais. Seu rosto estampa a nota de 200 hryvnias, uma das cédulas mais conhecidas e utilizadas do país. A homenagem na moeda nacional simboliza o valor de sua contribuição intelectual, cultural e histórica, consolidando Lesya como uma das principais referências da identidade ucraniana, ao lado de líderes políticos e culturais que marcaram a formação do país.
Lesya Ukrainka faleceu em 1º de agosto de 1913, na cidade de Surami, na Geórgia. Seu corpo foi levado para Kyiv, onde foi sepultado no Cemitério Baikove, local que se tornou ponto de referência histórica e cultural.
Em Prudentópolis, município que abriga uma das maiores comunidades ucranianas do Brasil, o legado de Léssia Ukrainka permanece vivo. Sua obra é trabalhada em escolas, atividades culturais e projetos comunitários que valorizam a língua e a tradição ucraniana. A homenagem também se reflete no espaço urbano: a Rua Lécia Ucrainka, localizada no bairro Centro, carrega seu nome como reconhecimento oficial da importância histórica e cultural da escritora para a comunidade local.
Foto: Google Maps
Em seu poema ‘O que nos dará força?’, Lesya retrata um carpinteiro humilde carregando um pesado fardo, simbolizando a perseverança, a responsabilidade e a coragem do povo diante de dificuldades. A obra reflete seu compromisso com a ideia de que a força moral e cultural é o que sustenta uma nação, mesmo sob opressão.
“Sob o sol ardente da primavera, Jerusalém fervia de atividade. Mulheres lavavam utensílios, crianças corriam entre flores, e o trabalho incessante preenchia as ruas.
No meio da cidade, um carpinteiro pobre lutava com um grande pedaço de madeira, suando, sentindo cada músculo doer. Ele se via pequeno diante da tarefa, mas carregava o fardo sem reclamar, determinado a cumprir sua obrigação, mesmo sabendo que ninguém lhe pagaria ou reconheceria seu esforço.
Com cada passo, ele erguia o peso até o alto, movendo-se com coragem e firmeza, mostrando que a verdadeira força vem da determinação, da responsabilidade e do compromisso com os outros.”
O que nos dará força?, 13/11/1903, cidade de Tiflis (Tiflis é o nome histórico da cidade que hoje é chamada de Tbilisi, capital da Geórgia)
A trajetória de Lesya Ukrainka ultrapassa fronteiras geográficas e temporais. Sua vida e obra seguem inspirando gerações, reforçando o papel da literatura como ferramenta de resistência, identidade e transformação social, tanto na Ucrânia quanto entre os descendentes que preservam essa herança cultural em Prudentópolis.
Fonte: Embaixada da Ucrânia no Brasil