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08/06/26 - às 11:16
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O Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, celebrado no Brasil em 7 de junho, representa muito mais do que uma data no calendário. A ocasião marca a luta histórica dos profissionais da comunicação contra a censura, a repressão e qualquer tentativa de silenciar o direito da sociedade de ser informada. Em um país democrático, a imprensa livre cumpre o papel essencial de fiscalizar o poder público, dar voz à população, denunciar abusos, registrar a história e garantir que informações de interesse coletivo cheguem ao conhecimento dos cidadãos.
A escolha do dia 7 de junho está diretamente ligada a um dos momentos mais importantes da resistência da imprensa brasileira durante a Ditadura Militar. Em 1977, cerca de 3 mil jornalistas assinaram e divulgaram um manifesto contra a censura imposta pelo regime. O documento, encabeçado pela Associação Brasileira de Imprensa, a ABI, denunciava publicamente as apreensões de jornais, o controle da informação e as restrições impostas ao trabalho jornalístico no país. 
Naquele período, veículos de comunicação conviviam com a presença de censores, cortes em reportagens, proibição de publicações e perseguições a profissionais que tentavam exercer o jornalismo com liberdade. O manifesto de 1977 se tornou um gesto de coragem coletiva. Ao se posicionarem contra a censura, jornalistas e entidades da área reafirmaram que informar não é crime, questionar não é ameaça e publicar a verdade não pode ser tratado como ato de desobediência.
A liberdade de imprensa é uma das bases de qualquer democracia. Sem ela, a população perde o acesso a informações fundamentais para formar opinião, cobrar respostas, acompanhar decisões públicas e participar da vida social e política do país. Quando a imprensa é silenciada, não são apenas os jornalistas que perdem espaço. Toda a sociedade perde o direito de saber.
O jornalismo livre também tem a função de incomodar. Ele questiona, investiga, expõe problemas, acompanha promessas, denuncia irregularidades e coloca luz sobre temas que muitas vezes poderiam permanecer escondidos. Por isso, a defesa da liberdade de imprensa não deve ser vista como uma pauta exclusiva dos meios de comunicação, mas como uma causa de interesse público.
Em tempos de redes sociais, circulação rápida de informações e crescimento da desinformação, o papel da imprensa profissional se torna ainda mais necessário. A apuração responsável, a checagem dos fatos, a escuta de diferentes lados e o compromisso com a verdade são elementos que ajudam a sociedade a diferenciar informação de boato, notícia de manipulação e opinião de fato.
Ao mesmo tempo, a data também serve como alerta. A liberdade de imprensa precisa ser protegida todos os dias. Ataques a jornalistas, tentativas de intimidação, discursos que descredibilizam a imprensa e pressões políticas ou econômicas contra veículos de comunicação representam riscos reais ao direito coletivo à informação. Em uma democracia, críticas ao trabalho jornalístico podem e devem existir, mas nenhuma divergência justifica censura, ameaça ou violência.
É importante lembrar ainda que o calendário conta com outras datas relacionadas à comunicação e à imprensa. O dia 3 de maio é celebrado como o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, instituído pela ONU e pela UNESCO. Já o dia 1º de junho marca o Dia da Imprensa no Brasil, em referência ao início da circulação do jornal Correio Braziliense, em 1808. Cada uma dessas datas possui um significado próprio, mas todas reforçam a importância da comunicação para a construção de uma sociedade mais consciente, crítica e participativa.
Celebrar o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa é reconhecer a coragem de quem enfrentou a censura no passado e reafirmar o compromisso com a verdade no presente. É lembrar que a democracia só se fortalece quando há espaço para perguntas, investigação, transparência e circulação livre de informações. Defender a imprensa livre é, acima de tudo, defender o direito da população de saber.
