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12/01/26 - às 09:58
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Prudentópolis, conhecida nacionalmente como a “Terra das Cachoeiras Gigantes”, guarda em meio à sua exuberante natureza um conjunto de histórias que atravessam gerações e permanecem vivas na memória dos moradores do interior. Entre elas, uma das mais comentadas e respeitadas é a lenda das almas que habitariam as águas do Salto São Francisco, localizado na zona rural do município.
O Salto São Francisco, um dos maiores e mais imponentes do Paraná, sempre despertou admiração e também temor. Moradores antigos relatam que, muito antes de o local se tornar ponto turístico, já era visto com respeito quase sagrado. Segundo essas narrativas, as águas profundas e a força da queda teriam sido cenário de afogamentos e acidentes fatais ao longo das décadas, principalmente em períodos em que não havia sinalização, trilhas definidas ou qualquer tipo de segurança.
Com o passar do tempo, essas tragédias deram origem a relatos que ultrapassam o campo do real e entram no universo do imaginário popular. Agricultores, pescadores e pessoas que residiam nas proximidades afirmam que, ao cair da noite, o ambiente ao redor da cachoeira muda completamente. O som constante da água, misturado ao vento que atravessa o cânion, teria se transformado, para muitos, em lamentos, sussurros e vozes que chamariam pelo nome de quem passa.
Há também relatos de figuras humanas vistas à margem do rio ou próximas à queda d’água. Silhuetas escuras, descritas como pessoas paradas, observando o movimento da água, desapareceriam repentinamente ao serem encaradas. Alguns moradores afirmam que essas aparições seriam as “almas penadas” de pessoas que perderam a vida no local e que, segundo a crença popular, não teriam encontrado descanso.
O respeito ao Salto São Francisco sempre foi uma recomendação passada de pais para filhos. Antigamente, era comum ouvir conselhos para evitar o local após o entardecer, não nadar em áreas profundas e nunca zombar ou gritar próximo à cachoeira. Para os mais velhos, atitudes consideradas de desrespeito poderiam “provocar” as almas que ali estariam, trazendo má sorte ou até acidentes.
Histórias semelhantes também cercam outras cachoeiras famosas de Prudentópolis. O Salto Barão do Rio Branco, com sua imponência e acesso mais isolado, é frequentemente citado em relatos de sons estranhos durante a noite e sensação de presença invisível. Já no Salto Sete, moradores dizem que, em certas épocas do ano, principalmente em noites de lua cheia, é possível ouvir passos e vozes que ecoam entre as pedras, mesmo quando não há ninguém por perto.
Embora não existam registros oficiais que comprovem fenômenos sobrenaturais, o fato é que essas histórias fazem parte da identidade cultural de Prudentópolis. Elas refletem o modo como as comunidades rurais interpretavam a natureza, os perigos reais do ambiente e as perdas sofridas ao longo da história. As lendas funcionavam também como forma de alerta, ensinando respeito às forças naturais e cuidado com locais de risco.
Hoje, com o turismo estruturado e maior acesso à informação, o Salto São Francisco é visitado por pessoas de diversas regiões. Ainda assim, muitos visitantes relatam uma sensação diferente ao se aproximar da cachoeira, um misto de admiração, silêncio e respeito, como se o lugar guardasse algo além do que os olhos podem ver.
Entre fé, tradição oral e memória coletiva, a lenda das almas nas cachoeiras permanece viva. Mais do que histórias de assombração, ela representa o vínculo profundo entre o povo de Prudentópolis e suas paisagens naturais, onde beleza e mistério caminham lado a lado, ecoando nas quedas d’água que continuam a contar, em silêncio, as histórias do passado.