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19/01/26 - às 09:51
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Prudentópolis ocupa posição de destaque no cenário nacional da fumicultura, sendo reconhecida como um dos maiores municípios produtores de fumo do Brasil, com forte presença da atividade sobretudo nas comunidades do interior. Para milhares de famílias agricultoras, o fumo segue sendo a principal e muitas vezes a única fonte de renda anual, sustentando a economia local e garantindo a permanência no campo.
A produção de fumo em Prudentópolis é baseada majoritariamente na agricultura familiar, com propriedades de pequeno e médio porte. Em média, cada produtor cultiva entre 2 e 5 hectares, dependendo da estrutura da família e do sistema de integração com as empresas compradoras.
A produtividade média varia conforme clima, manejo e tipo de fumo, mas gira em torno de 2.000 a 2.500 quilos por hectare, podendo ser maior em safras favoráveis. O plantio inicia geralmente no inverno, com transplante das mudas entre julho e agosto, e a colheita se estende da primavera ao início do verão, período que exige dedicação intensa e mão de obra constante.

Apesar da boa produtividade, o cultivo do fumo apresenta alto custo de produção. Insumos como adubos, defensivos, lenha para estufas, energia elétrica, manutenção de equipamentos e mão de obra familiar representam um investimento elevado. Estimativas do setor apontam que o custo por hectare pode variar entre R$ 25 mil e R$ 40 mil, dependendo da tecnologia utilizada e das condições da propriedade.
Esse cenário faz com que o produtor assuma riscos consideráveis, principalmente em anos de chuvas excessivas, estiagens ou instabilidades climáticas, comuns em Prudentópolis.
O preço do fumo é definido por classificação de qualidade no momento da comercialização com as empresas integradoras. Em média, o valor pago ao produtor pode variar entre R$ 12 e R$ 20 por quilo, podendo ser maior em lotes de melhor padrão técnico.
Em uma safra considerada boa, uma família pode alcançar uma renda bruta anual entre R$ 60 mil e R$ 120 mil, dependendo da área cultivada e da qualidade do produto. Após o desconto dos custos, o lucro líquido costuma ser mais reduzido, mas ainda assim o fumo segue como uma das culturas com maior retorno financeiro por hectare no município.
A fumicultura movimenta diversos setores da economia local, desde o comércio de insumos agrícolas até transporte, serviços, estufas, mão de obra temporária e arrecadação indireta de impostos. Em muitas comunidades rurais, o calendário da cidade acompanha o ritmo do fumo, influenciando desde o comércio até o funcionamento das escolas no período de colheita.

Apesar da importância econômica, o futuro do fumo em Prudentópolis está no centro de um debate cada vez mais presente. O alto custo de produção, o trabalho intenso, as questões de saúde e a dependência de um único comprador levam muitos produtores a refletirem sobre alternativas.
Programas de diversificação agrícola, com incentivo a culturas como grãos, hortaliças, frutas, leite e agroindústria familiar, vêm sendo discutidos como caminhos complementares. No entanto, a transição não é simples: poucas culturas oferecem, no curto prazo, a mesma rentabilidade e segurança de comercialização que o fumo ainda garante.
Em Prudentópolis, o fumo não é apenas uma lavoura é herança, tradição e sustento. O futuro da fumicultura passa por decisões difíceis: manter uma cultura que garante renda, mas exige alto custo e esforço, ou buscar novos caminhos produtivos, que tragam mais qualidade de vida, ainda que com incertezas.
O debate segue aberto, e qualquer mudança precisa considerar a realidade do campo, respeitando quem vive da terra e construiu, ao longo de décadas, uma das bases econômicas mais fortes do município.