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29/12/25 - às 13:43
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Em Prudentópolis, assim como em muitas cidades brasileiras, o período de festas de fim de ano é tradicionalmente marcado pelo uso de bombas e fogos de artifício. O que deveria simbolizar alegria, renovação e união acaba, muitas vezes, revelando um lado sombrio: o sofrimento silencioso de animais, o medo de crianças e os riscos reais à segurança pública. Neste último Natal, a situação ganhou contornos ainda mais graves com o registro da morte de um gato, vítima do estresse teve taquicardia, tremores, convulsões e do pânico causados pelos estampidos dos foguetes.
Para parte da população, o barulho é sinônimo de comemoração. Para outros especialmente os mais vulneráveis ele representa dor, terror e consequências irreversíveis.
Animais domésticos e silvestres são os mais afetados pelo uso de fogos barulhentos. Cães e gatos possuem audição muito mais sensível que a humana, captando frequências e intensidades sonoras que nós sequer percebemos. Para eles, o estrondo de uma bomba não é festa: é uma ameaça iminente à vida.
Durante os episódios de barulho intenso, muitos animais entram em estado de pânico absoluto, acionando o instinto de “luta ou fuga”. São comuns casos de taquicardia, tremores, convulsões e tentativas desesperadas de escapar do som. Em Prudentópolis, o registro de um gato morto em decorrência dos foguetes de Natal evidencia uma realidade cruel: o medo extremo pode levar à morte por choque, estresse agudo ou acidentes durante a fuga.
Além dos animais domésticos, a fauna silvestre da região também sofre. Aves abandonam ninhos, filhotes são deixados para trás e voos desorientados resultam em colisões e mortes, afetando diretamente o equilíbrio ambiental local.
Os efeitos dos fogos de artifício não se limitam aos animais. Crianças, especialmente bebês e aquelas com maior sensibilidade sensorial, também estão entre as principais vítimas do barulho excessivo. O sistema auditivo infantil ainda está em desenvolvimento, tornando-as mais suscetíveis a sustos intensos, traumas emocionais e até danos físicos.
A situação é ainda mais delicada para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Muitas delas apresentam hipersensibilidade auditiva, e o som repentino de um rojão pode ser percebido como dor física. Crises de ansiedade, desorganização emocional, autoagressão e sofrimento profundo transformam o período de festas em dias de medo e isolamento dentro de casa, quando deveriam ser momentos de acolhimento e alegria familiar.
Além do impacto sonoro, o uso de bombas e fogos de artifício representa um risco concreto à integridade física das pessoas. Todos os anos, hospitais registram casos de queimaduras graves, lesões nos olhos, mutilações e outros acidentes causados pelo manuseio inadequado desses artefatos. Crianças e adolescentes estão entre as principais vítimas, seja pela curiosidade, seja pela falta de fiscalização e conscientização.
Em áreas residenciais, como muitos bairros de Prudentópolis, o perigo se agrava, colocando em risco não apenas quem solta os fogos, mas toda a vizinhança.
O debate sobre o uso de fogos de artifício evoluiu nos últimos anos. Em diversas cidades brasileiras, leis já restringem ou proíbem fogos com estampido, incentivando alternativas silenciosas, que mantêm o efeito visual sem causar sofrimento. Essa mudança não representa o fim das celebrações, mas sim um avanço na empatia e no respeito ao próximo.
Em Prudentópolis, o registro da morte de um animal por causa dos foguetes de Natal deve servir como alerta. Celebrar não pode custar vidas, nem humanas nem animais. O verdadeiro espírito festivo está na convivência harmoniosa, no cuidado com os mais vulneráveis e na construção de uma cidade mais consciente e solidária.
Afinal, uma festa só é realmente completa quando todos podem atravessá-la em segurança sem medo, sem dor e sem perdas irreparáveis.