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02/03/26 - às 10:13
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Entre os dias 19 e 22 de fevereiro de 2026, Prudentópolis sediou o Sínodo Permanente da Igreja Greco-Católica Ucraniana, reunindo bispos de diferentes países ao lado de Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk para
decisões pastorais, avaliações da realidade da Igreja no mundo e encontros com a comunidade local. Considerado um dos principais organismos de governo da instituição, o Sínodo auxilia diretamente o Arcebispo Maior na condução global da Igreja, orientando caminhos administrativos, missionários e espirituais. Os trabalhos começaram em Curitiba no dia 15 de fevereiro e foram concluídos no município reconhecido como capital brasileira da cultura ucraniana, reforçando vínculos históricos, culturais e religiosos construídos ao longo de mais de um século.
Durante a permanência na cidade, os bispos participaram de reuniões internas voltadas ao planejamento missionário, à análise dos desafios pastorais e à avaliação das eparquias espalhadas pelo mundo, especialmente diante do cenário da guerra na Ucrânia. Também foram debatidas perspectivas para o fortalecimento da evangelização na diáspora e a necessidade de preparar a Igreja para as próximas décadas. Paralelamente à agenda reservada, a programação incluiu celebrações abertas, como a Divina Liturgia solene, que reuniu grande número de fiéis em momentos de oração, homenagens e solidariedade ao povo ucraniano que enfrenta o conflito.
O Eparca de Prudentópolis, Dom Meron Mazur, destacou que a visita do Arcebispo Maior representa a presença de um verdadeiro “pai espiritual” junto à comunidade. Segundo ele, Sua Beatitude faz questão de encontrar bispos, padres, consagrados e leigos para sentir de perto a realidade da Igreja local. Dom Meron lembrou que a Eparquia Imaculada Conceição possui apenas 11 anos de criação e que a presença do Sínodo é uma oportunidade para verificar como a pastoral está se desenvolvendo e como a evangelização dos descendentes de ucranianos está sendo conduzida.
De acordo com o bispo, o Arcebispo Maior costuma provocar uma reflexão constante: “O que será da nossa Igreja daqui a 10 ou 20 anos?”. A proposta, segundo ele, é incentivar planejamento, visão de futuro e compromisso com a propagação do Reino de Deus, sem perder a riqueza litúrgica, espiritual e cultural herdada dos imigrantes ucranianos. Dom Meron também ressaltou que, em meio à guerra, a Igreja na Ucrânia tem desempenhado papel fundamental no apoio humanitário, indo ao encontro das pessoas que sofrem sem distinção religiosa, priorizando o amparo aos inocentes.
Já o Bispo Metropolita de Curitiba, Dom Volodemer Koubetch, avaliou a passagem do Sínodo por Prudentópolis como um momento produtivo e espiritualmente marcante. Ele destacou a proximidade, simplicidade e acessibilidade de Sua Beatitude, ressaltando seu perfil poliglota, comunicativo e fraterno. Para Dom Volodemer, o Sínodo cumpre o papel de orientar os rumos da Igreja, apontando projetos, identificando fragilidades e indicando melhorias. Segundo ele, agora cabe às comunidades acolher, compreender e colocar em prática as recomendações e diretrizes definidas durante o encontro.
Em sua mensagem, Sviatoslav Shevchuk afirmou que a Igreja de rito bizantino possui uma tradição sinodal própria de organização e que o encontro no Brasil foi motivo de alegria. Ele classificou como um “milagre” o fato de que, após mais de 135 anos da imigração ucraniana no país, a comunidade mantém vivos o idioma, as rezas, a liturgia e as tradições. Disse ainda que, ao chegar a Prudentópolis, sentiu-se em casa, pois encontrou a mesma celebração litúrgica e a mesma fé vivida na Ucrânia.
O Arcebispo Maior afirmou ter encontrado no município uma Igreja florescente, bem integrada à sociedade brasileira e plenamente conectada à Igreja ucraniana universal. Em meio à tragédia da guerra, destacou que a comunidade brasileira exerce papel importante ao dar voz, no Brasil, ao sofrimento do povo ucraniano. Sua Beatitude também agradeceu às famílias que transmitem a fé aos filhos, às catequistas, às religiosas e às lideranças que mantêm viva a formação cristã, recordando que os imigrantes chegaram “de mãos vazias, mas com o coração cheio de Deus”, fé que hoje continua a florescer.
A realização do Sínodo Permanente em território brasileiro passa a integrar a história da Igreja Greco-Católica Ucraniana, reafirmando a unidade entre a Ucrânia e a
diáspora. Em Prudentópolis, o encontro consolidou não apenas a força da identidade cultural, mas também o compromisso com o futuro da evangelização e a continuidade de uma herança espiritual construída ao longo de gerações.
Ao final da programação religiosa, foi realizada uma homenagem às vítimas da guerra na Ucrânia na Praça Taras Shevchenko. O momento reuniu fiéis e lideranças em oração e memória daqueles que perderam a vida no conflito, reforçando o compromisso da comunidade com a paz e com a preservação da história e da identidade do povo ucraniano.