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01/01/26 - às 11:00
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Enquanto milhões de pessoas ao redor do mundo celebram a chegada de um novo ano, soldados na Ucrânia seguem na linha de frente, enfrentando uma invasão que começou em 2022 e se intensificou nos anos seguintes. Entre eles está o brasileiro Cândido, que está na Ucrânia desde 2023 e compartilha a realidade de viver o conflito em meio a datas tradicionalmente festivas. “A virada do ano passado passamos em um bunker de barro, com comida e água limitadas, sem internet e sem luz. Nossas lanternas haviam acabado a bateria”, relata. A experiência, segundo ele, foi marcada pelo medo constante, pelo frio intenso e pela saudade da família, sentimentos que se tornam ainda mais fortes durante os feriados.
A guerra impõe desafios diários: além das condições precárias, os soldados enfrentam ataques constantes, mudanças rápidas de posição e a
necessidade de manter vigilância extrema em todo tipo de clima, seja sol, chuva ou neve. “Enquanto muitos comemoram, alguns trabalham e impedem o avanço do inimigo, seja nas florestas ou nas cidades. O inimigo não para, e nós também não”, afirma Cândido, destacando que a defesa do território exige esforço físico intenso e atenção constante.
Segundo ele, a situação melhorou neste ano em termos logísticos: os bunkers agora são de concreto, com aquecedores, cadeiras, luz, internet, comida e água. Mesmo assim, os soldados da infantaria permanecem expostos a riscos, com rotina marcada por patrulhas, combates e a incerteza diária sobre a própria sobrevivência. “Minha função mudou, mas ainda tenho amigos que estão na função de infantaria e preocupados apenas em sobreviver mais um dia”, acrescenta.

O impacto psicológico da guerra é outro desafio constante. Cândido explica que, além da luta física, há uma batalha emocional: “São duas guerras, uma física e outra psicológica. A saudade da família aperta principalmente nos dias de comemoração, quando é comum reunir todos à mesa e sempre falta alguém. Mas não reclamo, estou onde planejei estar. Glória à Ucrânia, glória aos heróis do mundo livre”.
O relato do soldado brasileiro evidencia o contraste entre a vida cotidiana em países distantes do conflito e a realidade intensa e imprevisível de quem está na linha de frente, revelando coragem, resiliência e dedicação. Mesmo em datas que simbolizam união e celebração, a guerra mantém milhares de defensores atentos, lembrando que, para muitos, o dever não tira férias e a proteção da vida e do território se mantém como prioridade absoluta.