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21/08/26 - às 15:28
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Há 115 anos, Prudentópolis recebia quatro mulheres que deixariam uma marca profunda na história do município e da comunidade ucraniana. Em 1911, as Irmãs Servas de Maria Imaculada chegaram ao Brasil atendendo a um apelo que havia sido manifestado um ano antes, durante um congresso realizado em Curitiba, em 1910, que discutiu as necessidades espirituais, culturais e sociais dos imigrantes ucranianos.
O pedido para a vinda das religiosas partiu do padre Clemente Bzhuchovsky, da Ordem de São Basílio Magno (OSBM), que buscava fortalecer o atendimento à comunidade ucraniana que havia se estabelecido no Paraná e em Santa Catarina.
Atendendo ao chamado, sete Irmãs Servas de Maria Imaculada deixaram a Ucrânia em 1911 e partiram para o Brasil. Depois da chegada ao país, o grupo foi dividido: quatro religiosas seguiram para Prudentópolis e três foram destinadas a Iracema, em Santa Catarina.
As quatro religiosas que chegaram a Prudentópolis foram Irmã Volodemera Pinhonzhek, que assumiu como superiora da missão, e as Irmãs Anatólia Tecla Bodnar, Eumélia Klapouchchak e Sofia Ramatch.
A chegada aconteceu em um município que ainda enfrentava dificuldades de infraestrutura e que possuía uma população formada em grande parte por famílias de imigrantes. Para as religiosas, além da distância de sua terra natal, havia obstáculos como a barreira linguística, as condições de vida precárias e a ausência de estruturas básicas para o atendimento da população.
Foi justamente diante dessas dificuldades que as Irmãs começaram a colocar em prática sua missão. Nos primeiros anos, passaram a atuar simultaneamente em diferentes áreas, entre elas educação, catequese, assistência social, saúde e atividades pastorais.
Uma das principais frentes de trabalho foi a educação. Logo nos primeiros dias, as religiosas organizaram escolas para atender as crianças das famílias de imigrantes ucranianos. O trabalho não se limitava ao ensino tradicional: as Irmãs também ofereciam atividades relacionadas a artes e línguas e promoviam ações culturais e religiosas.
Em Prudentópolis, esse trabalho deu origem ao Colégio Imaculada Virgem Maria, que se tornaria uma das instituições educacionais ligadas à presença das Irmãs Servas de Maria Imaculada no município.
A educação também tinha um papel importante na preservação da identidade da comunidade ucraniana. Em uma época em que os imigrantes buscavam manter seus costumes, sua língua, sua fé e suas tradições em uma nova pátria, as escolas se tornaram espaços de transmissão desses conhecimentos às novas gerações.
A atuação das religiosas, entretanto, não ficou restrita às salas de aula. A realidade encontrada em Prudentópolis também exigia cuidados com a saúde. As Irmãs passaram a atender pessoas enfermas, idosos e órfãos e, diante da ausência de estrutura adequada, chegaram a organizar atendimento hospitalar.

Entre as pioneiras, Irmã Anatólia Tecla Bodnar teve uma atuação especialmente marcante junto aos enfermos. Ela percorria longas distâncias para atender pessoas doentes e prestava assistência em condições muitas vezes precárias.
Nascida em 29 de março de 1884, Tecla Bodnar ingressou na Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada e adotou o nome religioso de Anatólia. Em 1911, realizou sua Profissão Perpétua e partiu como missionária para o Brasil.
Em Prudentópolis, seu trabalho ultrapassou a assistência aos enfermos. Anatólia participou da formação de novas religiosas e, em 1915, quando foi aberto o noviciado das Irmãs Servas de Maria Imaculada no Brasil, tornou-se a primeira mestra de noviças.
Ao longo dos anos, ocupou diferentes funções dentro da Congregação. Em 1928, foi eleita superiora da Congregação no Brasil e, posteriormente, tornou-se superiora provincial da Província São Miguel Arcanjo.
A missão das religiosas também teve uma forte dimensão pastoral. As Irmãs ajudaram a manter viva a tradição religiosa dos imigrantes ucranianos, atuando na catequese, no culto e na organização da vida comunitária. O cuidado com as igrejas e com a celebração religiosa também fazia parte desse trabalho.
Dessa forma, a presença das Irmãs Servas de Maria Imaculada contribuiu não apenas para a formação educacional e religiosa da população, mas também para a preservação de elementos culturais que se tornaram parte da identidade de Prudentópolis.
A missão iniciada em 1911 continuou crescendo nas décadas seguintes. Após a unificação da Congregação, em 1934, durante o Capítulo Geral realizado em Lviv, na Ucrânia, foi estabelecida a Província São Miguel Arcanjo, responsável pela missão no Brasil. Naquele mesmo processo foram organizadas também as províncias do Canadá e da Ucrânia.
Embora nos primeiros anos a missão brasileira tivesse maior autonomia, as Irmãs mantinham comunicação com a casa-mãe e continuavam ligadas à Congregação de origem.
O crescimento da missão no Brasil também foi acompanhado pelo reconhecimento de sua importância. O Metropolita Andrey Sheptytsky, uma das principais lideranças da Igreja Greco-Católica Ucraniana, chegou a manifestar a perspectiva de que a Congregação no Brasil teria um grande futuro.
Em Prudentópolis, esse futuro foi construído ao longo de gerações. A atuação das primeiras quatro religiosas abriu caminho para a criação e consolidação de escolas, comunidades religiosas e diferentes iniciativas de assistência.
Entre essas instituições está o Colégio Imaculada Virgem Maria, cuja trajetória está diretamente ligada à chegada das Irmãs ao município. Ao longo de mais de um século, a instituição passou a fazer parte da história educacional de Prudentópolis e da formação de várias gerações.
A história de Irmã Anatólia também permanece presente na memória local. Ela morreu em Prudentópolis em 16 de fevereiro de 1956 e foi sepultada no cemitério da Paróquia São Josafat. Sua trajetória é lembrada pela atuação junto aos enfermos e pela dedicação à comunidade.
Em 2021, a Prefeitura de Prudentópolis inaugurou a Casa da Memória Irmã Anatólia Tecla Bodnar, espaço dedicado à preservação de sua história e de seu legado.
Mais do que a chegada de quatro religiosas, 11 de abril de 1911 representa um marco na história de Prudentópolis. A missão iniciada pelas Irmãs Servas de Maria Imaculada atravessou gerações e acompanhou o desenvolvimento da comunidade ucraniana no município.
Vindas de uma terra distante, elas encontraram em Prudentópolis uma comunidade que precisava de educação, assistência, orientação religiosa e apoio para preservar sua identidade. Com poucos recursos e diante de inúmeras dificuldades, transformaram sua presença em uma missão que se estendeu para diferentes áreas da vida comunitária.
Hoje, 115 anos depois, o trabalho iniciado por Volodemera Pinhonzhek, Anatólia Tecla Bodnar, Eumélia Klapouchchak e Sofia Ramatch continua presente na educação, na religiosidade, na cultura e na memória de Prudentópolis.
A história dessas primeiras irmãs também é parte da história da própria imigração ucraniana no município: uma trajetória marcada por fé, educação, serviço e preservação de uma identidade que atravessou o oceano e continua viva em Prudentópolis.
Fontes: Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada, Prefeitura Municipal de Prudentópolis, Secretaria Municipal de Turismo de Prudentópolis;
