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21/08/26 - às 16:04
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A história da Serva de Deus Irmã Anatólia Tecla Bodnar continua ligada à identidade religiosa e à memória de Prudentópolis. Falecida na cidade em 16 de fevereiro de 1956, a religiosa de origem ucraniana teve seu processo de beatificação aberto oficialmente em 18 de junho de 1993. A fase realizada no Brasil foi encerrada em 12 de abril de 2022, e a documentação foi encaminhada à Santa Sé. Atualmente, conforme a atualização oficial mais recente localizada sobre as causas de beatificação e canonização no Brasil, o processo está na etapa em que a “Positio super Virtutibus” documento que reúne os elementos para a análise das virtudes heroicas está sendo preparada. A causa aguarda, posteriormente, o reconhecimento de um milagre para que a beatificação possa avançar.

Irmã Anatólia nasceu em 29 de março de 1884, em Zhuzhel, na região da Galícia, então parte do Império Austro-Húngaro e atualmente território da Ucrânia. No batismo, recebeu o nome de Tecla Bodnar. Segundo registros da Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada, ela cresceu em uma família de forte formação cristã e, ainda criança, teve contato com a congregação que posteriormente faria parte de sua vida.
Aos 18 anos, em 1902, Tecla ingressou na Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada e passou a utilizar o nome religioso de Irmã Anatólia. Em 1911, integrou o grupo das primeiras religiosas ucranianas da congregação enviadas ao Brasil em missão. Após desembarcar no Porto de Santos, seguiu para o Paraná e chegou a Prudentópolis com outras religiosas.
Foi no município paranaense que sua trajetória ganhou uma relação especialmente forte com a comunidade ucraniana. Ela trabalhou na educação, na organização das atividades religiosas e no atendimento de pessoas doentes e necessitadas.
Ao longo da vida religiosa, também ocupou funções de liderança dentro da congregação. Em 1928, foi eleita superiora da Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada no Brasil. Posteriormente, tornou-se a primeira superiora provincial da Província São Miguel Arcanjo, permanecendo nessa função até 1947.
A dedicação aos doentesUm dos aspectos mais lembrados na trajetória de Irmã Anatólia é sua dedicação aos enfermos e às pessoas que procuravam ajuda. Registros da congregação descrevem sua atuação como marcada pela caridade, oração e atenção aos doentes e abandonados.
A devoção popular cresceu especialmente após sua morte. Segundo a documentação reunida pela congregação e por instituições que preservam sua memória, pessoas passaram a recorrer à sua intercessão em orações e a relatar graças recebidas.
É importante fazer uma distinção: relatos de graças e possíveis curas não significam automaticamente que a Igreja tenha reconhecido um milagre. Para uma causa de beatificação, eventuais milagres atribuídos à intercessão de um candidato precisam passar por uma investigação própria e rigorosa dentro dos procedimentos da Igreja.

Os últimos anos de Irmã Anatólia foram marcados por uma doença grave. Segundo registros da Escola Madre Anatólia e da Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada, ela sofreu uma gangrena incurável, permanecendo acamada durante os últimos anos de sua vida. Mesmo diante das dores, os relatos sobre sua vida destacam sua espiritualidade e a maneira como oferecia seus sofrimentos em oração.
Irmã Anatólia morreu em 16 de fevereiro de 1956, em Prudentópolis, e foi sepultada no dia seguinte no cemitério da Paróquia São Josafat. Seu túmulo permanece como um dos locais relacionados à devoção popular em torno de sua memória.
A fama de santidade que se desenvolveu entre os fiéis levou à abertura da causa. O processo de beatificação e canonização foi oficialmente iniciado em 18 de junho de 1993, por iniciativa da autoridade eclesiástica responsável pela comunidade católica ucraniana no Brasil.
A partir daí, começou uma longa investigação sobre a vida da religiosa. Foram reunidos documentos, testemunhos e informações históricas com o objetivo de verificar como ela viveu sua fé e se existem elementos que comprovem a prática das virtudes cristãs em grau heroico.
Com a abertura da causa, Irmã Anatólia passou a receber oficialmente o título de Serva de Deus, que é uma das primeiras etapas do caminho para a canonização.
Depois de quase três décadas de trabalho, a fase diocesana ou local da investigação foi encerrada em 12 de abril de 2022, em uma sessão realizada na Capela da Casa Provincial Madre Anatólia, em Curitiba.
Na ocasião, a documentação produzida durante a investigação realizada no Brasil foi encaminhada para a Santa Sé, em Roma. A própria Metropolia Católica Ucraniana São João Batista registrou o encerramento da etapa brasileira e o envio do processo para a análise da Igreja em Roma.
O encerramento da fase local foi um momento importante para a causa, mas não significou a beatificação. A partir daquela etapa, o processo passou a seguir os procedimentos próprios do Dicastério para as Causas dos Santos, órgão da Santa Sé responsável por analisar processos desse tipo.
E como está o processo atualmente?A atualização mais detalhada e recente encontrada sobre a situação das causas brasileiras de beatificação e canonização apresenta o estágio atual da causa de Irmã Anatólia.
O documento informa que o inquérito diocesano sobre as virtudes foi depositado no Dicastério em 17 de maio de 2022. Posteriormente, houve a abertura de um inquérito diocesano suplementar, cujo material foi depositado em 5 de maio de 2023. A validade jurídica desse inquérito suplementar foi reconhecida em 14 de junho de 2023.
Outro passo importante ocorreu em 8 de novembro de 2023, quando foi nomeado como relator da causa o Frei Szczepan Praśkiewicz, OCD. O relator é responsável por acompanhar a elaboração da documentação necessária para a análise das virtudes da candidata.
A situação informada no levantamento mais recente é clara: a Positio super Virtutibus está sendo preparada.
A expressão pode parecer complicada, mas representa uma etapa fundamental do processo.
A Positio super Virtutibus é, de maneira simplificada, o conjunto organizado de documentos e argumentos utilizados para apresentar à Igreja a vida, a trajetória espiritual e as virtudes atribuídas ao candidato à beatificação.
No caso de Irmã Anatólia, esse material precisa reunir e organizar as informações obtidas durante a investigação, permitindo que as autoridades competentes avaliem se ela viveu as virtudes cristãs de maneira heroica.
Portanto, a causa ainda não chegou ao ponto em que a Igreja declarou Irmã Anatólia venerável. Antes disso, é necessário que a documentação seja concluída, analisada e que as instâncias competentes reconheçam oficialmente a existência das virtudes heroicas.
Não existe, neste momento, uma data oficial anunciada para a beatificação.
O documento da Igreja que apresenta a situação da causa registra que, depois da análise relacionada às virtudes, será necessário também um milagre reconhecido para a beatificação.
Isso significa que não é correto afirmar que Irmã Anatólia já é beata ou que sua beatificação está marcada. Atualmente, ela continua sendo oficialmente reconhecida no processo como Serva de Deus Irmã Anatólia Tecla Bodnar.
A causa depende de várias etapas e não há um prazo fixo para sua conclusão. O processo pode avançar conforme a documentação é preparada, examinada e submetida às diferentes instâncias previstas pela Igreja.
Mesmo tendo nascido na Ucrânia, Irmã Anatólia construiu grande parte de sua missão no Brasil e possui uma ligação especialmente forte com Prudentópolis, cidade onde viveu, trabalhou e morreu.
A memória da religiosa também integra o patrimônio histórico e religioso do município. Em 19 de setembro de 2021, foi inaugurada a Casa da Memória Serva de Deus Irmã Anatólia Tecla Bodnar, espaço criado para preservar sua história e oferecer acolhida, escuta e oração. O local fica na Rua Rui Barbosa, no Centro de Prudentópolis.
A cidade também mantém a memória de Irmã Anatólia por meio do seu túmulo no cemitério da Paróquia São Josafat, que continua sendo visitado por pessoas que rezam e pedem sua intercessão.
Sua trajetória ainda ultrapassa os limites de Prudentópolis. Em Curitiba, uma rua e instituições ligadas às Irmãs Servas de Maria Imaculada receberam seu nome, demonstrando a dimensão de sua atuação na história da congregação e da comunidade ucraniana católica no Paraná.
Mais de 70 anos após sua morte e mais de três décadas depois da abertura da causa, a história de Irmã Anatólia continua sendo acompanhada por religiosos e devotos.
O estágio atual, entretanto, exige cautela: o processo está em andamento e ainda não houve declaração oficial de beatificação. A informação mais atual disponível aponta que a documentação da causa está sendo preparada na etapa da Positio super Virtutibus e que, para a beatificação, será necessário também o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão.
Para Prudentópolis, onde Irmã Anatólia passou os últimos anos de sua vida e foi sepultada, o processo representa também a preservação de uma parte importante da história religiosa e da presença ucraniana no município. Enquanto a causa segue seu caminho dentro da Igreja, a memória da religiosa permanece viva entre aqueles que visitam seu túmulo, conhecem sua trajetória e recorrem à sua intercessão.
