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16/09/26 - às 10:23
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O Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio é celebrado nesta quarta-feira, 16 de setembro, como um alerta sobre a importância de preservar uma das principais barreiras naturais que protegem a vida na Terra. A data também marca a assinatura, em 1987, do Protocolo de Montreal, acordo internacional que estabeleceu medidas para eliminar progressivamente substâncias químicas capazes de destruir o ozônio. Segundo a avaliação científica apoiada pela ONU, quase 99% das substâncias controladas que destroem a camada de ozônio já foram eliminadas, e a camada está em trajetória de recuperação.
A camada de ozônio é uma região da estratosfera, localizada aproximadamente entre 15 e 35 quilômetros de altitude, onde existe uma concentração maior de moléculas de ozônio, o O₃.
Apesar de o ozônio representar uma pequena parte da atmosfera, sua função é fundamental. Ele absorve grande parte da radiação ultravioleta (UV) emitida pelo Sol, reduzindo a quantidade dessa radiação que chega à superfície terrestre.
Essa proteção é importante tanto para a saúde humana quanto para o equilíbrio ambiental. A exposição excessiva à radiação ultravioleta está associada a problemas como câncer de pele e catarata, além de provocar impactos sobre plantas, organismos marinhos e outros componentes dos ecossistemas.
Por isso, preservar a camada de ozônio não significa apenas proteger a atmosfera. Significa também reduzir riscos para a saúde, a biodiversidade e os sistemas naturais dos quais a sociedade depende.
Durante décadas, diversos produtos utilizados em atividades industriais e domésticas continham substâncias químicas capazes de chegar à estratosfera e participar de reações que destroem moléculas de ozônio.
Entre elas estavam os clorofluorcarbonos, conhecidos como CFCs, utilizados em aplicações como sistemas de refrigeração e aerossóis. Também foram identificadas outras substâncias com potencial de destruição do ozônio.
A preocupação aumentou especialmente com a descoberta do chamado buraco na camada de ozônio sobre a Antártida, fenômeno que demonstrou a dimensão que o problema poderia alcançar.
Diante do avanço das evidências científicas, países de diferentes partes do mundo assinaram, em 16 de setembro de 1987, o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio.
O acordo estabeleceu cronogramas para reduzir e eliminar a produção e o consumo de diversas substâncias prejudiciais à camada. O tratado entrou em vigor em 1989 e passou por atualizações ao longo dos anos.
Em 1994, a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu oficialmente o dia 16 de setembro como o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, justamente para lembrar a assinatura do acordo de 1987. Em 2009, a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal alcançaram ratificação universal, tornando-se os primeiros tratados da história das Nações Unidas a chegar a esse nível de participação.
O resultado é considerado um dos exemplos mais importantes de cooperação internacional baseada em evidências científicas.
Sim. As avaliações científicas indicam que a camada de ozônio está em processo de recuperação, embora seja um processo lento e que exige a continuidade das medidas adotadas pelos países. 
De acordo com a avaliação científica mais recente disponível, de 2022, mantidas as políticas atuais, os níveis de ozônio devem retornar aos valores de 1980, período anterior ao surgimento do buraco de ozônio, por volta de 2040 na maior parte do mundo, 2045 no Ártico e 2066 na Antártida.
Isso não significa que o problema tenha desaparecido. A recuperação depende da manutenção do controle das substâncias que destroem o ozônio e do acompanhamento permanente das condições da atmosfera.
A história do Protocolo de Montreal também ganhou uma nova dimensão com a Emenda de Kigali, adotada em 2016.
O acordo ampliou a atuação internacional para reduzir gradualmente os hidrofluorcarbonos, os HFCs, gases que passaram a ser utilizados como alternativas a algumas substâncias que destruíam o ozônio, mas que possuem elevado potencial de aquecimento global.
Segundo as Nações Unidas, a implementação da Emenda de Kigali pode evitar até 0,5°C de aquecimento global até o final do século. A medida também estimula o desenvolvimento de equipamentos de refrigeração e climatização mais eficientes. Tema de 2026 destaca a busca por um planeta mais fresco
Em 2026, o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio tem como tema “Global action for a cooler planet”, em português, “Ação global por um planeta mais fresco”.
A campanha deste ano também marca os 10 anos da adoção da Emenda de Kigali e destaca a relação entre a proteção da camada de ozônio, a eficiência energética e a necessidade de ampliar o acesso a sistemas de refrigeração mais sustentáveis.
A questão ganhou ainda mais importância diante do aumento da demanda por sistemas de climatização e refrigeração em residências, empresas, hospitais, escolas, na conservação de alimentos e em outras atividades essenciais.
Embora grande parte das medidas de proteção da camada de ozônio dependa de políticas públicas, acordos internacionais e mudanças nos processos industriais, as escolhas do dia a dia também podem contribuir.
A manutenção adequada de geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e outros equipamentos de refrigeração, por exemplo, ajuda a evitar vazamentos de gases. Também é importante procurar assistência técnica qualificada e realizar o descarte correto de equipamentos antigos, evitando que substâncias presentes nesses aparelhos sejam liberadas de maneira inadequada.
Além disso, a população pode contribuir para a proteção ambiental de forma mais ampla ao reduzir desperdícios, economizar energia e optar, quando possível, por equipamentos mais eficientes.
O Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio mostra que problemas ambientais de escala global podem ser enfrentados quando ciência, governos, empresas e sociedade atuam de forma coordenada.
A recuperação observada não significa que a proteção possa ser deixada de lado. Pelo contrário: os resultados alcançados desde o Protocolo de Montreal reforçam a importância de manter os compromissos assumidos e acompanhar continuamente as mudanças na atmosfera.
Em 16 de setembro, mais do que lembrar a importância de uma camada invisível aos olhos, a data chama atenção para algo essencial: a proteção da atmosfera tem efeitos diretos sobre a saúde das pessoas, os ecossistemas e o futuro do planeta.
