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16/09/26 - às 15:44
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As fortes chuvas que atingiram Prudentópolis na semana passada, principalmente entre os dias 9 e 11 de setembro, também tiveram impacto sobre a área rural do município. Segundo a Defesa Civil do Paraná, 3.596 pessoas foram atingidas por inundações em Prudentópolis, número que coloca o município entre os mais afetados do Estado no período. Os temporais ocorreram em um cenário de instabilidade associado à atuação do El Niño, frentes frias e sistemas de baixa pressão, que favoreceram volumes elevados de chuva e tempestades no Paraná.
O Simepar havia apontado, ainda no início de setembro, que o mês teria tendência de chuvas acima da média em todas as regiões do Paraná, especialmente na primeira quinzena. Segundo o órgão, o El Niño está ativo desde junho no Oceano Pacífico Equatorial e, combinado à passagem sucessiva de frentes frias e à atuação de sistemas de baixa pressão, aumenta a possibilidade de episódios de chuva volumosa e temporais.

É importante fazer uma distinção: o El Niño não significa que todas as chuvas de um determinado dia sejam causadas diretamente pelo fenômeno. O que os meteorologistas apontam é que ele altera os padrões atmosféricos e favorece condições mais chuvosas no Sul do Brasil, enquanto sistemas meteorológicos de menor escala são responsáveis pela formação dos temporais específicos.
No caso da semana passada, a combinação de fatores meteorológicos provocou uma sequência de chuvas intensas no Paraná. De acordo com o Simepar, o Estado enfrentava a atuação conjunta de El Niño, frentes frias e sistemas de baixa pressão, cenário que favoreceu tempestades e volumes elevados de precipitação.
Além da chuva, havia previsão de ventos intensos e possibilidade de granizo. Para Prudentópolis, os avisos meteorológicos indicaram risco de chuva superior a 60 milímetros por hora ou 100 milímetros em 24 horas e rajadas superiores a 100 km/h em um dos níveis de alerta. Os avisos também destacavam possibilidade de estragos em plantações, queda de árvores, alagamentos e transtornos no transporte.
Para quem vive da agricultura, a chuva é fundamental para o desenvolvimento das culturas, mas o excesso de água em um curto intervalo pode causar problemas tão sérios quanto a falta dela.
Quando o solo recebe mais água do que consegue absorver ou drenar, podem ocorrer encharcamento, erosão e perda da camada superficial do solo, justamente a parte que concentra matéria orgânica e nutrientes importantes para a produção.
Em áreas inclinadas, situação encontrada em diferentes regiões do município, a água em grande quantidade também pode provocar formação de enxurradas e carregar partículas do solo. Esse processo pode abrir sulcos, prejudicar estradas internas das propriedades e dificultar o acesso às lavouras.
Outro problema aparece quando o solo permanece encharcado por vários dias. A redução da quantidade de oxigênio disponível nas raízes pode prejudicar o desenvolvimento das plantas. Dependendo da cultura e do estágio de desenvolvimento, o excesso de umidade também pode favorecer doenças e apodrecimento.
A própria Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná já registrou, em relatórios de acompanhamento de safras, que chuvas fortes podem provocar perdas, apodrecimento e redução da qualidade de hortaliças, especialmente quando associadas a outras condições meteorológicas desfavoráveis.
O vento é outro fator de preocupação para os produtores. Rajadas intensas podem provocar acamamento de plantas, quando a cultura é inclinada ou derrubada, além de quebrar galhos, derrubar árvores e danificar estruturas utilizadas nas propriedades.
Dependendo da cultura, do estágio de desenvolvimento e da intensidade das rajadas, os danos podem comprometer parte ou até uma parcela significativa da produção. O problema pode ser ainda maior quando o vento ocorre acompanhado de chuva intensa ou granizo.
Os próprios alertas meteorológicos emitidos para a região destacavam o risco de danos em plantações durante os temporais registrados na semana passada.
No campo, os prejuízos também podem aparecer de maneira indireta. Estradas rurais danificadas por enxurradas podem dificultar a chegada de máquinas, insumos e trabalhadores às propriedades. Da mesma forma, problemas em pontes, acessos, redes elétricas ou estruturas de armazenamento podem aumentar o custo e dificultar o escoamento da produção.
Ainda não há, nas fontes oficiais consultadas, um levantamento municipal consolidado que informe quantos produtores rurais de Prudentópolis tiveram perdas ou qual foi o valor total dos prejuízos agrícolas causados pelos temporais da semana passada.
Por isso, não seria correto afirmar que “muitos produtores tiveram prejuízos” sem um levantamento específico da agricultura do município.
O que já está oficialmente registrado é que 3.596 pessoas foram atingidas por inundações em Prudentópolis no episódio. Esse número, porém, representa pessoas afetadas e não equivale ao número de produtores prejudicados nem permite calcular as perdas nas lavouras.
Também há registros recentes de impactos de temporais na área rural de Prudentópolis. A ocorrência de eventos extremos não é novidade para os produtores do município. Em 2020, por exemplo, uma tempestade de granizo destruiu cerca de 35 mil pés de fumo em uma propriedade de Prudentópolis, mostrando como eventos severos podem representar perdas expressivas para uma única lavoura.
Um alerta para o produtorA sequência de temporais da última semana chama atenção não apenas pelos danos já registrados, mas também pela possibilidade de novos episódios de chuva ao longo de setembro. O Simepar prevê que a influência do El Niño continue favorecendo chuvas acima da média no Paraná, com maior intensidade do fenômeno esperada durante a primavera.
Para o produtor rural, o cenário exige atenção ao estado das lavouras, estradas internas, sistemas de drenagem, açudes, cercas, galpões e demais estruturas. Depois de períodos de chuva intensa, também é importante observar sinais de erosão, áreas encharcadas, deslizamentos de solo e danos provocados pelo vento.
Em Prudentópolis, onde a agricultura tem participação importante na economia e envolve propriedades de diferentes tamanhos, quantificar os prejuízos da última semana dependerá de um levantamento específico junto aos produtores e órgãos ligados ao setor agrícola.
Por enquanto, os dados oficiais mostram a dimensão do evento climático: milhares de pessoas foram afetadas no município e mais de 20 mil pessoas foram atingidas pelas chuvas em dezenas de cidades do Paraná. Os episódios mais graves ocorreram justamente entre os dias 9 e 11 de setembro.
Simepar – previsão climática para setembro de 2026 e influência do El Niño no Paraná.
Defesa Civil do Paraná – registros de ocorrências e número de pessoas atingidas em Prudentópolis.
INMET – avisos meteorológicos de tempestade para a região, incluindo previsão de chuva intensa, ventos fortes e risco de danos em plantações.
Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (SEAB/DERAL) – registros sobre impactos de chuvas fortes na produção agrícola.
Folha de S.Paulo – análise sobre a relação entre El Niño, frentes frias e os temporais que atingiram Paraná e São Paulo em setembro de 2026.
