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27/10/26 - às 14:30
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A comercialização do fumo e do feijão, duas culturas importantes para a economia rural de Prudentópolis, exige atenção dos agricultores diante das oscilações de mercado e da dificuldade de equilibrar os valores recebidos com os custos de produção. Enquanto o tabaco registrou queda no preço médio pago aos produtores na safra 2025/2026, o mercado do feijão apresentou movimentos diferentes conforme a variedade e o período analisado, com recuos nas cotações em determinados momentos.
A situação preocupa especialmente as famílias que dependem da renda agrícola para custear a próxima safra, pagar despesas da propriedade e manter as atividades no campo. Em culturas que exigem investimento antecipado em sementes, fertilizantes, defensivos, combustível e mão de obra, a remuneração obtida na venda da produção tem impacto direto no resultado financeiro da propriedade.
Afubra confirma redução no preço médio do fumo
Os dados divulgados pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) mostram que o preço médio do tabaco Virgínia no Paraná caiu de R$ 20,18 por quilo na safra 2024/2025 para R$ 18,72 na safra 2025/2026. A redução foi de 7,2%.
Considerando o conjunto dos tipos de tabaco comercializados no estado, o preço médio passou de R$ 19,83 para R$ 18,30 por quilo, queda de 7,7%. No Sul do Brasil, a média geral recuou de R$ 20,25 para R$ 18,07 por quilo, uma diminuição de 10,8%.
A entidade também apontou dificuldades durante a comercialização da safra mais recente. Produtores de diferentes regiões relataram insatisfação com os valores pagos e com os critérios de classificação das folhas. Em alguns locais, houve cargas canceladas, devoluções e manutenção de parte do tabaco armazenada nas propriedades à espera de condições mais favoráveis de venda.
A classificação é determinante na remuneração, pois a qualidade e as características das folhas influenciam o valor recebido. Por isso, a média estadual não representa necessariamente o preço pago a cada agricultor.
Em Prudentópolis, onde a fumicultura tem participação expressiva na economia rural, a queda merece atenção. Na safra 2024/2025, o município produziu aproximadamente 13,67 mil toneladas de tabaco, com 1.621 famílias produtoras, segundo dados divulgados com base no levantamento da Afubra.
Feijão também enfrenta oscilações nas cotações
No mercado do feijão, o cenário varia conforme o tipo de grão, a oferta e a procura. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, mostram que o feijão-preto chegou a janeiro de 2026 com preço médio de R$ 144,76 por saca de 60 quilos. Apesar da recuperação em relação a dezembro, o valor ainda representava uma queda de aproximadamente 16% na comparação com janeiro de 2025.
O feijão-carioca apresentou comportamento diferente no mesmo período, com média de R$ 221,39 por saca em janeiro de 2026, alta de 14% em relação ao mês anterior. Os números demonstram que as duas variedades não tiveram a mesma evolução de preços.
Mais recentemente, também foram registradas quedas pontuais nas cotações do feijão em diferentes regiões produtoras. Em outubro, informações de mercado apontaram recuos semanais associados à menor demanda, embora as médias de setembro ainda tenham ficado acima das registradas em agosto em importantes regiões acompanhadas pelo setor.
Para os agricultores de Prudentópolis, município com tradição no cultivo do feijão-preto, essas variações tornam o planejamento da comercialização ainda mais importante. O valor disponível no momento da venda pode influenciar a capacidade de cobrir os gastos da lavoura e definir os investimentos para o próximo plantio.
Custos de produção aumentam a pressão sobre as famílias
A queda de preços nem sempre vem acompanhada de redução nos gastos necessários para produzir. Insumos, combustível, manutenção de equipamentos e contratação de trabalhadores representam despesas que precisam ser pagas independentemente do valor alcançado na comercialização.
Quando a remuneração fica abaixo da expectativa, a margem financeira diminui e pode comprometer o planejamento da próxima safra. Para propriedades familiares, o impacto pode ir além da lavoura, atingindo o orçamento doméstico e a circulação de recursos nas comunidades rurais e no comércio local.
No caso do fumo, a classificação das folhas interfere diretamente no valor recebido. No feijão, a cotação pode variar conforme a variedade, a qualidade do grão, a região e o momento da negociação. Por isso, os preços médios estaduais servem como referência, mas não substituem a verificação dos valores efetivamente praticados em cada localidade.
Agricultura tem peso na economia de Prudentópolis
Fumo e feijão estão entre as culturas que movimentam a agricultura municipal e geram renda para famílias do interior. A instabilidade nos preços reforça os desafios enfrentados pelos produtores, que precisam tomar decisões sobre plantio, custos e comercialização em um cenário sujeito a mudanças de mercado e condições climáticas.
Embora os dados estaduais e regionais ajudem a dimensionar o cenário, o impacto financeiro varia de acordo com a produção de cada propriedade, a produtividade obtida, a qualidade do produto e as condições negociadas com os compradores.
Fontes: Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra); Departamento de Economia Rural (Deral/Seab-PR); Agência Estadual de Notícias do Paraná; Lance Notícias.
