Não perca nenhum LANCE!
Faça parte da nossa comunidade! E receba antes o que é notícia em promeira mão.
Desde 2015, informamos com imparcialidade, lutamos contra a desinformação e fortalecemos a comunidade. Nosso lance é você!
Confira os portais que fazem parte do Lance Notícias:
07/08/26 - às 09:47
Compartilhe:
O Dia Estadual da Lei Maria da Penha, celebrado em 7 de agosto no Paraná, reforça a importância da conscientização e do combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. A data marca a sanção da Lei Federal nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, considerada um dos principais instrumentos jurídicos de proteção às mulheres no Brasil e reconhecida internacionalmente por seu avanço no enfrentamento à violência de gênero.
Mais do que uma homenagem, a data busca incentivar a denúncia, fortalecer as políticas públicas de proteção às vítimas e lembrar que a violência contra a mulher não se limita às agressões físicas. Ela também pode ocorrer de forma psicológica, moral, patrimonial e sexual, deixando marcas profundas que comprometem a dignidade, a saúde e a liberdade das vítimas.
A legislação recebeu esse nome em homenagem à farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, cuja história se tornou símbolo da luta contra a violência doméstica no Brasil.
Em 1983, Maria da Penha sofreu duas tentativas de homicídio praticadas pelo então marido. Na primeira, foi atingida por um disparo de arma de fogo enquanto dormia, ficando paraplégica. Meses depois, durante sua recuperação, sofreu uma segunda tentativa de assassinato, quando o agressor tentou eletrocutá-la e afogá-la.
Mesmo diante da gravidade dos crimes, o processo judicial se arrastou por anos sem uma condenação definitiva. O caso foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que responsabilizou o Estado brasileiro pela demora e pela omissão no enfrentamento da violência doméstica.
A repercussão internacional impulsionou mudanças na legislação brasileira e resultou na criação da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, representando um marco histórico na proteção dos direitos das mulheres.
A Lei Maria da Penha foi criada para prevenir, combater e punir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Além de estabelecer punições mais severas para os agressores, a legislação também determina uma série de mecanismos de proteção às vítimas.
Entre as principais medidas previstas estão:
A lei também reconhece que a violência doméstica não se resume à agressão física.
A legislação identifica cinco tipos principais de violência contra a mulher:
Violência física: agressões que causam dor, lesões ou colocam a vida da vítima em risco.
Violência psicológica: ameaças, humilhações, manipulação, perseguição, isolamento e qualquer comportamento que prejudique a saúde emocional da mulher.
Violência sexual: obrigar ou constranger a mulher a manter relações sexuais ou impedir que exerça seus direitos reprodutivos.
Violência patrimonial: destruição, retenção ou controle de documentos, dinheiro, bens ou objetos pessoais.
Violência moral: calúnia, difamação, injúria e qualquer ato que atinja a honra e a reputação da vítima.
Mesmo após quase duas décadas de vigência da Lei Maria da Penha, a violência contra a mulher continua sendo um dos principais desafios sociais do país.
Dados divulgados anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam milhares de registros de violência doméstica, medidas protetivas concedidas e casos de feminicídio em todo o Brasil, demonstrando que a conscientização e a denúncia continuam sendo fundamentais para romper o ciclo da violência.
Especialistas destacam que muitos casos ainda deixam de ser denunciados por medo, dependência financeira, pressão familiar ou receio de novas agressões.
A Lei Maria da Penha também fortaleceu a criação de redes de apoio e canais de denúncia para garantir maior proteção às vítimas.
A orientação é que qualquer situação de violência doméstica seja comunicada imediatamente às autoridades competentes. A denúncia pode ser feita pela própria vítima, familiares, vizinhos ou qualquer pessoa que tenha conhecimento da agressão.
Denunciar é uma forma de interromper o ciclo da violência e pode salvar vidas.
O Dia Estadual da Lei Maria da Penha vai além da lembrança da criação da legislação. A data representa um chamado para que toda a sociedade participe do enfrentamento à violência contra a mulher, promovendo respeito, igualdade e proteção.
A construção de uma sociedade mais segura depende da atuação conjunta do poder público, das instituições, das redes de apoio e da população. Conhecer os direitos garantidos pela Lei Maria da Penha, incentivar a denúncia e acolher as vítimas são atitudes essenciais para combater a violência doméstica e garantir que nenhuma mulher tenha seus direitos violados.
