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10/09/26 - às 15:49
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O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é lembrado nesta quinta-feira, 10 de setembro, em um cenário de preocupação com a evolução dos indicadores de saúde mental no Brasil e no mundo. O Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que o Brasil registrou 16.676 mortes por suicídio em 2023, número superior aos 16.144 casos de 2022 e aos 15.110 registrados em 2021. A taxa nacional chegou a 7,8 mortes por 100 mil habitantes em 2023, contra 7,6 em 2022 e 7,1 em 2021.
Os dados mais recentes disponíveis mostram que o problema não ficou restrito aos anos analisados pelo levantamento. Em maio de 2026, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) divulgou um novo alerta sobre o aumento das mortes por suicídio entre adolescentes e jovens de 10 a 24 anos nas Américas. A análise, baseada em dados de 35 países entre 2000 e 2021, apontou crescimento de 38% na taxa de mortalidade por suicídio nesse grupo, que passou de 5,7 para 7,84 mortes por 100 mil habitantes.
No Brasil, um dado divulgado em agosto de 2026 também chamou atenção para uma população específica. Segundo levantamento do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), 215 indígenas morreram por suicídio em 2025, sete a mais do que em 2024 e o maior número registrado pela organização desde o início de sua série histórica, em 2019. Entre essas vítimas, 78% tinham menos de 30 anos.
O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio foi instituído em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A primeira mobilização internacional ocorreu em 10 de setembro daquele ano. A iniciativa nasceu com o objetivo de chamar a atenção para o suicídio como questão de saúde pública, combater o estigma e estimular governos, instituições e comunidades a desenvolver ações de prevenção.
Em 2026, a data completa 23 anos de mobilização internacional.
A campanha internacional do triênio 2024–2026 tem como tema “Mudar a narrativa sobre o suicídio. Começar a conversa”. A proposta é substituir o silêncio e o estigma por conversas responsáveis, acolhimento e acesso à ajuda.
O dado nacional mais recente consolidado no Atlas da Violência 2025 mostra uma evolução preocupante.
Em 2013, o país havia registrado 10.015 suicídios. Dez anos depois, em 2023, foram 16.676 mortes.
Isso representa um aumento de aproximadamente 66,5% no número absoluto de registros entre 2013 e 2023.
A taxa também cresceu. Passou de 5,0 mortes por 100 mil habitantes em 2013 para 7,8 em 2023.
2013 — 10.015
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2017 — 12.175
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2019 — 13.207
██████████████████████████
2021 — 15.110
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2022 — 16.144
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2023 — 16.676
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Fonte: Atlas da Violência 2025, Ipea/FBSP, com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).
A série mostra que o crescimento não foi pontual. Depois de passar de 10 mil mortes em 2013, o número aumentou progressivamente ao longo da década, chegando ao maior patamar apresentado no levantamento em 2023.
Quando os números são ajustados pelo tamanho da população, a tendência de crescimento também permanece.
A taxa brasileira passou de 5,0 mortes por 100 mil habitantes em 2013 para 7,8 em 2023, uma alta de aproximadamente 56%.
| Ano | Taxa por 100 mil habitantes |
|---|---|
| 2013 | 5,0 |
| 2015 | 5,3 |
| 2017 | 5,9 |
| 2019 | 6,3 |
| 2021 | 7,1 |
| 2022 | 7,6 |
| 2023 | 7,8 |
Fonte: Ipea/FBSP, Atlas da Violência 2025.
A diferença entre os dados absolutos e a taxa é importante. O crescimento da população brasileira explica parte do aumento no número total de mortes, mas a elevação da taxa mostra que o problema também cresceu proporcionalmente.
O cenário entre crianças, adolescentes e jovens merece atenção especial.
Segundo o Atlas da Violência 2025, 1.120 pessoas de 10 a 19 anos morreram por suicídio no Brasil em 2023.
Em 2013, haviam sido registrados 785 casos nessa faixa etária. O crescimento no período foi de 42,7%.
Apesar de o número de 2023 ter sido 10,8% menor do que o registrado em 2022, quando foram contabilizados 1.256 casos, o patamar continua superior ao observado no início da série.
2013 — 785
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2017 — 1.047
█████████████████████
2019 — 1.211
████████████████████████
2021 — 1.293
██████████████████████████
2022 — 1.256
█████████████████████████
2023 — 1.120
██████████████████████
Alta de 42,7% entre 2013 e 2023
Fonte: Atlas da Violência 2025.
A preocupação com os jovens também aparece no cenário internacional. Em maio de 2026, a OPAS informou que a taxa de mortalidade por suicídio entre pessoas de 10 a 24 anos nas Américas aumentou 38% em 21 anos, passando de 5,7 para 7,84 mortes por 100 mil habitantes.
O estudo da OPAS foi elaborado com base nas Estimativas Globais de Saúde da OMS para 35 países entre 2000 e 2021. Portanto, embora tenha sido divulgado em 2026, ele não representa mortes ocorridas em 2026. A distinção é importante para evitar a interpretação de que se trata de um levantamento do ano corrente.
Um dos dados mais recentes disponíveis foi divulgado em agosto de 2026 pelo Conselho Indigenista Missionário.
Segundo o relatório sobre violência contra os povos indígenas, 215 indígenas morreram por suicídio em 2025, sete a mais do que em 2024. O número foi considerado o maior da série histórica acompanhada pelo Cimi, iniciada em 2019.
O dado mais preocupante está relacionado à idade: 78% das vítimas tinham menos de 30 anos.
Os estados com maior número de mortes indígenas por suicídio em 2025 foram:
Amazonas — 77 casos
Mato Grosso do Sul — 42 casos
Roraima — 37 casos
Juntos, os três estados concentraram 156 das 215 mortes, aproximadamente 72,6% do total registrado pelo levantamento.
Total: 215
Amazonas — 77
████████████████████████████
Mato Grosso do Sul — 42
███████████████
Roraima — 37
█████████████
Outros estados — 59
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78% das vítimas tinham menos de 30 anos
Fonte: Cimi, relatório divulgado em agosto de 2026.
É importante destacar que os dados do Cimi se referem especificamente à população indígena e utilizam metodologia própria. Eles não substituem a estatística nacional do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde.
O Paraná também está inserido nesse cenário de preocupação.
No recorte nacional apresentado pelo Atlas da Violência 2025, o estado aparece com 934 homicídios registrados entre jovens de 15 a 29 anos em 2023, mas esse indicador se refere a homicídios e não deve ser confundido com suicídios.
Para suicídio, o levantamento nacional apresenta dados estaduais em diferentes recortes, mas a disponibilidade de séries mais recentes depende da consolidação das informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade.
Por isso, para uma matéria publicada em 2026, é importante não atribuir ao Paraná números de 2025 ou 2026 sem uma publicação oficial específica que os confirme.
Essa cautela é necessária porque os dados de mortalidade passam por processos de registro, investigação, codificação e consolidação antes de serem divulgados como estatística oficial.
Essa é uma informação importante para o leitor.
Embora 2026 seja o ano atual, não significa que todas as estatísticas de saúde referentes ao próprio ano já estejam consolidadas.
Os números de mortalidade são registrados inicialmente nos sistemas de saúde e posteriormente passam por processos de qualificação e consolidação. Por isso, os levantamentos nacionais costumam apresentar defasagem.
O Atlas da Violência 2025, por exemplo, foi publicado em maio de 2025, mas sua série de suicídios chega até 2023. O levantamento utiliza dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), produzido pelo Ministério da Saúde.
Dessa forma, apresentar um número nacional de suicídios ocorridos em 2025 ou 2026 sem indicar a fonte e a metodologia poderia induzir o leitor ao erro.
A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos.
A OMS considera o suicídio um importante problema de saúde pública e destaca que ele pode ser prevenido por meio de estratégias que envolvem saúde, educação, políticas públicas e ações comunitárias.
Nas Américas, o cenário merece atenção adicional. A OPAS informou em 2024 que quase 100 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano na região.
O alerta mais recente divulgado em 2026 reforça especialmente a situação entre adolescentes e jovens.
Apesar de setembro concentrar campanhas de conscientização, a prevenção do suicídio não deve ser tratada como uma ação limitada a um único mês.
O Ministério da Saúde destaca que o suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e relacionado a diferentes fatores. Também reforça que ele pode ser prevenido e que reconhecer sinais de sofrimento pode ser um primeiro passo para buscar ajuda.
Isso significa que familiares, amigos, professores, colegas de trabalho e profissionais de diferentes áreas podem fazer parte da rede de proteção.
Escutar sem julgamento, demonstrar preocupação, evitar minimizar o sofrimento e incentivar a procura por atendimento especializado são atitudes importantes.
A campanha internacional de 2024 a 2026 escolheu justamente como tema “Mudar a narrativa sobre o suicídio. Começar a conversa”.
A proposta é combater o estigma e criar uma cultura em que falar sobre sofrimento emocional não seja motivo de vergonha.
Isso não significa transformar casos individuais em exposição pública ou tratar o assunto de maneira sensacionalista. Significa falar sobre prevenção, saúde mental e acesso ao cuidado de maneira responsável.
A OPAS destaca que mudar a narrativa envolve substituir o silêncio por compreensão e apoio.
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional pelo telefone 188, gratuitamente, 24 horas por dia.
Em situações de emergência ou quando houver risco imediato à vida, a orientação é procurar um serviço de emergência ou acionar o SAMU pelo 192.
Também é possível procurar uma Unidade Básica de Saúde, serviço de saúde mental ou profissional habilitado para avaliação e acompanhamento.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas que apresentam sinais de comportamento suicida sejam acolhidas e encaminhadas para ajuda adequada.
Em 2026, o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio completa 23 anos desde sua criação. A data nasceu em 2003 com uma missão que permanece atual: colocar o assunto em debate, combater o estigma e fortalecer a prevenção.
Os números mais recentes disponíveis mostram por que essa discussão continua necessária. O Brasil passou de 10.015 suicídios em 2013 para 16.676 em 2023, enquanto o número de mortes entre pessoas de 10 a 19 anos cresceu 42,7% no mesmo período. Em 2025, somente entre a população indígena, foram registrados 215 suicídios pelo Cimi, com 78% das vítimas abaixo dos 30 anos.
Já em 2026, a OPAS voltou a chamar atenção para o aumento das mortes entre adolescentes e jovens nas Américas.
Os dados não representam apenas estatísticas. Cada registro corresponde a uma vida perdida e a uma rede de familiares, amigos e comunidades afetada.
Por isso, o principal objetivo da data permanece sendo transformar informação em prevenção. Falar com responsabilidade, ouvir sem julgamento, reconhecer sinais de sofrimento e facilitar o acesso à ajuda são atitudes que podem contribuir para salvar vidas.
