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25/06/26 - às 11:20
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Junho é marcado por ações de conscientização sobre a saúde mental masculina, um tema que precisa ser tratado com seriedade também em Prudentópolis. A campanha busca quebrar o estigma de que homens não devem demonstrar sentimentos, pedir ajuda ou falar sobre sofrimento emocional. Em uma cidade com mais de 49 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE, o debate se torna ainda mais necessário diante de uma realidade nacional e estadual preocupante: os homens seguem entre os que menos procuram atendimento psicológico e estão entre as principais vítimas de agravamentos relacionados ao sofrimento mental.
Durante muito tempo, expressões como “homem não chora”, “aguente firme” ou “isso é fraqueza” ajudaram a construir uma barreira silenciosa entre muitos homens e o cuidado com a própria saúde emocional. Essa cultura faz com que sintomas de ansiedade, depressão, estresse intenso, esgotamento profissional e traumas sejam ignorados ou tratados apenas quando a situação já está mais grave.
De acordo com o Ministério da Saúde, as expectativas sociais impostas aos homens, como a ideia de que precisam ser sempre fortes, provedores e resistentes, contribuem para que eles procurem menos os serviços de saúde e tenham mais dificuldade em falar sobre emoções. Na prática, isso significa que muitos sofrem em silêncio, evitam conversas importantes e deixam de buscar atendimento por medo de julgamento.
Os dados reforçam o tamanho do alerta. Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, com base em boletim do Ministério da Saúde, em 2021 o Brasil registrou 15.507 mortes por suicídio, sendo que 77,8% das vítimas eram homens. No Paraná, foram 960 ocorrências em 2023, conforme dados preliminares, e 531 registros parciais em 2024. Os números mostram que a saúde mental masculina não pode ser tratada como um assunto secundário.
Em Prudentópolis, o tema também passa pela importância do acesso à rede de atendimento. O município conta com serviços de saúde mental na rede pública, incluindo o CAPS I, voltado ao atendimento de pessoas com transtornos mentais graves, severos e persistentes, e o CAPS AD, destinado a pessoas com transtornos mentais decorrentes do uso abusivo de álcool e outras drogas. Além disso, a porta de entrada para muitos casos pode ser a Unidade Básica de Saúde mais próxima, onde o paciente pode receber acolhimento, avaliação e encaminhamento adequado.
A campanha de conscientização também chama atenção para fatores que podem afetar diretamente a saúde emocional dos homens, como pressão financeira, excesso de responsabilidades, conflitos familiares, solidão, luto, ansiedade, cobranças no trabalho, desemprego, traumas não tratados e dificuldade de criar redes de apoio. Quando esses sentimentos são acumulados e não encontram espaço para serem expressos, podem comprometer a qualidade de vida, os relacionamentos, o desempenho profissional e a saúde física.
Outro ponto importante é combater a ideia de que procurar um psicólogo, psiquiatra ou outro profissional de saúde é sinal de fraqueza. Pelo contrário: reconhecer que algo não está bem e buscar ajuda é uma atitude de responsabilidade. Falar sobre sentimentos, dividir preocupações com pessoas de confiança e aceitar acompanhamento profissional são passos essenciais para prevenir o agravamento do sofrimento emocional.
A psicoterapia pode auxiliar o homem a compreender melhor suas emoções, lidar com perdas, organizar pensamentos, enfrentar crises, melhorar relacionamentos e desenvolver formas mais saudáveis de responder às pressões do dia a dia. Em alguns casos, o acompanhamento médico também pode ser necessário, especialmente quando há sintomas persistentes, prejuízo na rotina ou sofrimento intenso.
Para quem está passando por um momento difícil, a orientação é não enfrentar a situação sozinho. Em Prudentópolis, a pessoa pode procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima, buscar informações junto à Secretaria Municipal de Saúde ou ser encaminhada para a rede de Atenção Psicossocial, conforme a necessidade de cada caso. Em situações de sofrimento emocional intenso, o Centro de Valorização da Vida também oferece apoio gratuito, sigiloso e 24 horas por dia pelo telefone 188.
A saúde mental masculina precisa ser discutida dentro das famílias, nas escolas, nos ambientes de trabalho, nas comunidades e nos serviços de saúde. Ouvir sem julgamento, incentivar o diálogo e reconhecer sinais de sofrimento são atitudes que podem fazer diferença.
Mais do que uma campanha de um mês, o cuidado com a saúde mental dos homens deve ser permanente. Em Prudentópolis e em todo o país, falar sobre sentimentos não é fraqueza. É cuidado, prevenção e coragem.
