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26/08/26 - às 13:03
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A causa animal em Prudentópolis enfrenta uma realidade que não aparece em um único número oficial: atualmente, não foi localizado um levantamento municipal público que informe quantos cães e gatos vivem em situação de abandono ou nas ruas de todo o município. O que os dados disponíveis permitem afirmar é que a APASFA (Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis) mantém um abrigo com mais de 100 animais, enquanto a Prefeitura, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, atua principalmente em ações de controle populacional e prevenção, como o Castrapet Paraná, que realizou 198 castrações gratuitas em julho de 2026, atendendo 229 animais. A entidade, por sua vez, afirma atuar há mais de uma década no resgate de animais abandonados e se identifica atualmente como uma organização 100% voluntária.
Essa é uma das principais perguntas quando o assunto é a causa animal no município. E, neste momento, a resposta precisa ser dada com cautela:
não há, nas fontes públicas consultadas, um número oficial atualizado que permita afirmar quantos cães e gatos estão abandonados em Prudentópolis.
Isso significa que não seria correto publicar, por exemplo, que existem “mil”, “dois mil” ou qualquer outro número de animais abandonados na cidade sem que exista um levantamento técnico que sustente a informação.
O que existe são números parciais, referentes a animais acolhidos por entidades, atendimentos realizados e ações de castração.
A APASFA informa atualmente que mantém mais de 100 animais em seu abrigo e que atua há mais de 10 anos resgatando animais abandonados em Prudentópolis. A entidade também informa que seu trabalho é realizado de forma voluntária.
Esse número, porém, não representa a quantidade total de animais abandonados no município. Ele representa apenas os animais que estão sob responsabilidade direta da associação.

A Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis (APASFA) é uma das organizações que atuam diretamente no resgate e acolhimento de animais em situação de abandono em Prudentópolis.
A entidade foi criada em 2012, com o objetivo de promover o bem-estar e o respeito aos direitos dos animais. A Câmara Municipal reconheceu a associação como de Utilidade Pública Municipal, reforçando sua atuação no município.
O trabalho da APASFA inclui resgate, alimentação, cuidados veterinários, recuperação e busca por adoção responsável.
A dificuldade, entretanto, é justamente a capacidade limitada do abrigo.
Em diferentes momentos, a associação já relatou superlotação e falta de espaço para receber novos animais. Em uma ocorrência registrada pela imprensa, moradores encontraram 10 filhotes abandonados dentro de uma caixa em uma área de mata no município, e a APASFA informou que não tinha espaço para acolhê-los.
Mais recentemente, a própria entidade voltou a comunicar situação de superlotação, afirmando que o número de abandonos continua pressionando a capacidade do abrigo.
A informação mais recente disponível publicamente nas páginas da APASFA aponta para mais de 100 animais sob responsabilidade do abrigo. A entidade também se apresenta como uma organização composta integralmente por voluntários.
Isso significa que alimentação, limpeza, tratamentos, medicamentos, resgates e demais despesas dependem de uma combinação de doações, ações beneficentes e trabalho voluntário.
A realidade não é nova.
Em 2020, uma reportagem registrou que o abrigo já acolhia aproximadamente 100 animais e estava em sua capacidade máxima. Na época, a associação também trabalhava com conscientização sobre adoção responsável e castração.
Anos depois, o número continua na mesma ordem de grandeza, mostrando como o acolhimento de animais abandonados permanece sendo uma demanda constante.
O atendimento aos animais não fica exclusivamente nas mãos da ONG.
A Prefeitura de Prudentópolis, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, participa das ações relacionadas ao controle populacional, vacinação e programas de castração.
Em 2026, a Secretaria de Meio Ambiente aparece entre as áreas responsáveis pelas ações municipais voltadas aos animais. O portal oficial da Prefeitura registra, por exemplo, a realização do Castrapet Paraná e outras iniciativas relacionadas à saúde e ao cuidado animal.
Uma das principais ferramentas utilizadas pelo poder público é a castração.
A lógica é direta: quanto maior o número de animais esterilizados, menor a reprodução descontrolada e, consequentemente, menor a quantidade de filhotes que pode acabar em situação de abandono.
Castrapet realizou 198 castrações em 2026Em julho de 2026, Prudentópolis recebeu uma etapa do Castrapet Paraná, programa estadual de esterilização gratuita de cães e gatos.
Segundo a Prefeitura, foram realizadas 198 castrações gratuitas, enquanto 229 animais foram atendidos durante a ação. A administração municipal informou que a meta prevista foi superada.
Isso significa que aproximadamente 86,46% dos animais atendidos foram efetivamente castrados.
A conta é:
198 castrações ÷ 229 animais atendidos × 100 = 86,46%
Os outros atendimentos podem estar relacionados a procedimentos ou avaliações que não resultaram em castração naquele momento.
O Governo do Paraná também confirma Prudentópolis entre os municípios atendidos pelo Castrapet em julho de 2026. O programa foi organizado para levar castração gratuita a municípios paranaenses e tem como um dos objetivos o controle populacional de cães e gatos.
Há ainda outro número importante.
Na página oficial do Instituto Água e Terra (IAT), Prudentópolis aparece com 239 animais na relação de municípios atendidos pelo programa Castrapet Paraná.
Esse número, porém, não deve ser confundido com o total de animais abandonados da cidade.

Trata-se de uma quantidade vinculada ao programa de castração, e não de um censo da população animal ou de animais em situação de rua.
Essa diferença é fundamental para evitar interpretações equivocadas.
Até o momento, não é possível apresentar uma porcentagem confiável de animais abandonados em Prudentópolis.
Para calcular essa porcentagem seria necessário conhecer, no mínimo:
Como não foi localizado um levantamento municipal atualizado com essas informações, qualquer porcentagem apresentada como “percentual de abandono em Prudentópolis” seria uma estimativa sem base suficiente.
O que pode ser calculado são percentuais relacionados aos dados disponíveis.
86,46% — percentual de animais atendidos pelo Castrapet em julho de 2026 que foram efetivamente castrados: 198 de 229.
43,75% — percentual aproximado de crescimento no número de animais atendidos, caso se compare a referência histórica de média de 160 atendimentos mensais registrada em uma reportagem de 2023 com os 229 atendidos em 2026. Porém, essa comparação não deve ser tratada como evolução oficial, porque são metodologias e períodos diferentes. Por isso, o número é apenas matemático e não representa necessariamente aumento da demanda.
Mais de 100 animais — quantidade atualmente divulgada pela própria APASFA como estando sob responsabilidade do abrigo.
A APASFA já chegou a atender centenas de animais por mêsUm dado histórico ajuda a dimensionar a demanda.
Em 2023, reportagem sobre a entrega de equipamentos para a APASFA informou que a entidade mantinha 100 animais abrigados, mas realizava uma média de 470 atendimentos por mês, incluindo castrações.
Esse dado mostra que a atuação da associação não se limita aos animais que permanecem no abrigo.
Há uma diferença entre:
animal abrigado: permanece sob responsabilidade da entidade;
animal atendido: recebe algum tipo de assistência, como castração, tratamento ou outro cuidado, mas não necessariamente fica no abrigo.
Por isso, os 470 atendimentos mensais registrados naquele período não significavam que a ONG tivesse 470 animais vivendo no abrigo.
Os relatos públicos indicam diferentes situações.
Há animais encontrados abandonados em ruas, terrenos e áreas de mata. Também existem casos de filhotes deixados em caixas, animais feridos, cães e gatos encontrados em situação de vulnerabilidade e animais que precisam de atendimento após serem encontrados sem tutor.
Em 2026, a própria APASFA continua divulgando casos de abandono e pedidos de ajuda, indicando que a entrada de novos animais continua sendo uma realidade para a entidade.
Isso cria um ciclo difícil:
abandono → reprodução → aumento de animais nas ruas → resgates → lotação dos abrigos → necessidade de adoção → novos abandonos.
A interrupção desse ciclo depende de medidas que vão além do simples recolhimento.

O Governo do Paraná trata a castração como uma ferramenta de controle populacional de cães e gatos.
O programa Castrapet tem justamente o objetivo de ampliar o acesso à esterilização e reduzir os efeitos da reprodução descontrolada. O IAT destaca ainda que o controle da população de animais domésticos também está relacionado à saúde pública e à proteção da biodiversidade.
Em Prudentópolis, a própria Câmara Municipal já discutiu a necessidade de ampliar políticas permanentes de esterilização.
Em 2021, uma indicação legislativa propôs que o município fosse inserido no Programa Permanente de Esterilização de Cães e Gatos do Governo do Estado. O documento destacava que ações de castração já haviam sido iniciadas anteriormente e mencionava a existência de um equipamento “castramóvel” destinado ao município.
A castração, porém, não resolve sozinha o problema.
Ela precisa ser acompanhada por guarda responsável, identificação, fiscalização, educação da população, adoção responsável e combate ao abandono.
A legislação municipal também estabelece regras sobre animais soltos.
O Código de Posturas citado pela Câmara Municipal determina que animais encontrados soltos em ruas, praças, estradas ou caminhos públicos devem ser recolhidos a local adequado. Há também previsão específica sobre cães e gatos encontrados nas vias públicas.
A legislação ainda estabelece responsabilidade aos tutores pela manutenção dos animais em seus terrenos e pela alimentação adequada.
Portanto, o problema não pode ser colocado exclusivamente sobre ONGs.
Existe também uma responsabilidade do tutor, que deve evitar que o animal seja abandonado ou permaneça solto em situação de risco.
Atualmente, o atendimento está dividido entre diferentes atores.
É a principal entidade local identificada publicamente com atuação direta no resgate e acolhimento de animais abandonados.
A associação mantém abrigo, recebe animais, promove adoções e busca recursos para alimentação e atendimento veterinário. A própria APASFA informa que possui mais de 100 animais no abrigo e que seu trabalho é realizado por voluntários.
A administração municipal, especialmente por meio da Secretaria de Meio Ambiente, atua em políticas públicas relacionadas à causa animal, com destaque para castração e vacinação.
Em 2026, a Prefeitura realizou o Castrapet Paraná no município e informou 198 castrações gratuitas e 229 animais atendidos.
O Estado participa por meio do Castrapet Paraná, programa coordenado pelo Instituto Água e Terra, que leva castrações gratuitas aos municípios selecionados. Prudentópolis está entre as cidades atendidas pelo programa.
Protetores independentesAlém da ONG e do poder público, existem pessoas que atuam individualmente, oferecendo temporariamente abrigo, alimentação, transporte e atendimento veterinário para animais encontrados em situação de abandono.
A existência desses voluntários é registrada também em relatos históricos da APASFA, quando pessoas acolhiam diversos animais em suas próprias residências por falta de espaço físico específico para a associação.
Os dados disponíveis deixam evidente uma questão: um abrigo não consegue resolver sozinho o problema do abandono animal.
Mesmo com mais de 100 animais sob cuidados da APASFA, a entidade continua recebendo pedidos de resgate e relatando falta de espaço.
Isso significa que simplesmente retirar animais das ruas pode não ser suficiente se novos animais continuarem sendo abandonados.
A solução exige uma política contínua de prevenção.
Entre as medidas consideradas fundamentais estão:
Mesmo sem um censo completo, os números encontrados ajudam a montar um retrato da situação.
Mais de 100 animais estão atualmente sob responsabilidade do abrigo da APASFA.
198 castrações gratuitas foram realizadas pelo Castrapet em julho de 2026.
229 animais foram atendidos durante a ação.
86,46% dos animais atendidos foram castrados, considerando a relação entre 198 procedimentos e 229 atendimentos.
239 animais aparecem na relação oficial do IAT vinculada ao atendimento de Prudentópolis no Castrapet.
Mais de 10 anos de atuação são informados pela APASFA em resgates de animais abandonados no município.
E existe um dado que não pode ser ignorado: o município ainda não possui, nas fontes públicas consultadas, um número oficial atualizado de quantos animais estão efetivamente abandonados nas ruas.
A causa animal em Prudentópolis é sustentada por uma rede que envolve poder público, ONG, voluntários, médicos-veterinários, famílias adotantes e tutores.
A APASFA exerce um papel direto no acolhimento e resgate. A Prefeitura atua em políticas públicas, principalmente por meio de ações de castração e vacinação. O Governo do Estado complementa essas iniciativas com programas como o Castrapet.
Mas o combate ao abandono começa antes de o animal chegar ao abrigo.
A guarda responsável é uma das principais formas de impedir que cães e gatos sejam colocados nas ruas. A castração ajuda a evitar ninhadas não planejadas, enquanto a adoção responsável reduz a pressão sobre os abrigos.
Rede Sul de Notícias — registros históricos sobre a atuação da APASFA e casos de abandono no município.
